📖 5º Dia de Estudo Bíblico
A vontade de Deus e de Jesus para que Sua Palavra fosse escrita
- Jesus escreveu alguma coisa?
Embora Jesus não tenha deixado livros escritos de próprio punho, a Bíblia mostra que Ele sabia escrever e que, em alguns momentos, registrou algo pessoalmente. No episódio da mulher adúltera, a Escritura diz:
“Eles diziam isso para experimentá-lo e para terem do que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.”
(João 8,6)
O texto não revela o que foi escrito, mas o ato mostra que Jesus dominava a escrita.
Além disso, a passagem de Lucas 2,41-52 narra que, aos 12 anos, Jesus ficou no Templo, dialogando com os doutores da Lei:
“Todos os que o ouviam estavam maravilhados com sua inteligência e com as respostas que dava.”
(Lucas 2,47)
Isso indica que, já desde jovem, Jesus possuía grande conhecimento das Escrituras e capacidade de escrever e ensinar.
- Jesus preparou escritores para o Novo Testamento
Mesmo sem ter escrito um Evangelho durante Seu ministério público, Jesus preparou cuidadosamente os discípulos para essa missão. No prólogo do Evangelho de Lucas, o evangelista explica:
“Muitos já empreenderam compor uma narração dos fatos que se realizaram entre nós, conforme no-los transmitiram os que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da Palavra. Também a mim, que acompanhei tudo cuidadosamente desde o princípio, pareceu bem escrever-te de modo ordenado, ilustre Teófilo, para que reconheças a solidez dos ensinamentos que recebeste.”
(Lucas 1,1-4)
O detalhe de que Lucas investigou os fatos desde o início e buscou testemunhas oculares leva muitos estudiosos a apontar que a Virgem Maria tenha sido uma de suas fontes para relatar a infância de Jesus (Lc 1–2), já que ela esteve presente com os discípulos e recebeu o Espírito Santo em Pentecostes (Atos 1,14).
Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.
- A ordem direta de Jesus para escrever
Após a Ressurreição, Jesus permaneceu 40 dias instruindo os apóstolos (Atos 1,3), preparando-os para a missão.
“E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.”
No livro do Apocalipse, João recebe do próprio Cristo a ordem de escrever cartas às sete Igrejas:
“Quando o vi, caí a seus pés como morto. Ele, porém, colocou sobre mim a sua mão direita, dizendo: ‘Não tenhas medo! Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente. Estive morto, mas agora estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos. Escreve, pois, o que viste, o que é e o que vai acontecer depois’.”
(Apocalipse 1,17-19)
E Jesus dita as cartas:
Éfeso: (Ap 2,1)
Ao anjo da igreja de Éfeso, escreve: Eis o que diz aquele que segura as sete estrelas na sua mão direita, aquele que anda pelo meio dos sete candelabros de ouro.
Esmirna: (Ap 2,8)
Ao anjo da igreja de Esmirna, escreve: Eis o que diz o Primeiro e o Último, que foi morto e retomou a vida.
Pérgamo: (Ap 2,12)
Ao anjo da igreja de Pérgamo, escreve: Eis o que diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes.
Tiatira: (Ap 2,18)
Ao anjo da igreja de Tiatira, escreve: Eis o que diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chamas de fogo e os pés semelhantes ao fino bronze.
Sardes: (Ap 3,1)
Ao anjo da igreja de Sardes, escreve: Eis o que diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as tuas obras: és considerado vivo, mas estás morto.
Filadélfia: (Ap 3,7)
Ao anjo da igreja de Filadélfia, escreve: Eis o que diz o Santo e o Verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi - que abre e ninguém pode fechar; que fecha e ninguém pode abrir.
Laodiceia: (Ap 3,14)
Ao anjo da igreja de Laodicéia, escreve: Eis o que diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus.
O próprio João confirma que a finalidade do registro escrito é suscitar fé:
“Jesus fez ainda, na presença dos seus discípulos, muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.”
(João 20,30-31)
- Finalidade da Bíblia
A Sagrada Escritura é fruto da fé e destina-se a alimentar a fé. Sua mensagem central é a História da Salvação, narrando como Deus conduz a humanidade desde a Criação até a Redenção em Cristo.
- O Deus do Antigo e do Novo Testamento
Alguns pensam que o Deus do Antigo Testamento é severo e o do Novo Testamento é apenas misericordioso, mas isso é um erro.
No Antigo Testamento, Deus manifesta justiça, mas também amor e paciência (cf. Êxodo 34,6; Salmo 103,8).
Êxodo 34:6 O Senhor passou diante dele, exclamando: “Javé, Javé, Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e em fidelidade,
Salmos 103:8 Ele se lembra eternamente de sua aliança, da palavra que empenhou a mil gerações,
No Novo Testamento, Jesus demonstra compaixão, mas também firmeza, como quando repreendeu Cafarnaum:
“E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? Até o inferno serás precipitada! Porque, se em Sodoma tivessem sido realizados os milagres que em ti se realizaram, ela teria subsistido até hoje.”
(Mateus 11,23)
E há diversas passagens da trajetória de Jesus que ele ameaça e aborda a irá de Deus para correção e pagamento pelo peso do pecado.
Evangelho segundo Mateus
Mt 3,7-12 – João Batista, anunciando a vinda de Jesus, fala da ira iminente e do juízo com fogo.
Mt 7,21-23 – “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus…”
Mt 8,11-12 – Fala dos “filhos do Reino” sendo lançados nas trevas exteriores.
Mt 10,14-15 – “Será mais tolerável, no dia do juízo, para Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.”
Mt 11,20-24 – Ai contra Corozaim, Betsaida e Cafarnaum por sua incredulidade.
Mt 12,36-37 – “No dia do juízo, os homens darão conta de toda palavra ociosa.”
Mt 13,40-42 – Parábola do joio: os maus lançados na fornalha ardente.
Mt 18,6-9 – Escândalo e mutilação simbólica para evitar o inferno.
Mt 21,33-44 – Parábola dos vinhateiros homicidas: condenação dos infiéis.
Mt 22,1-14 – Parábola do banquete: o convidado sem veste nupcial é lançado fora.
Mt 23,13-36 – “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas… Serpentes, raça de víboras… como escapareis da condenação do inferno?”
Mt 25,31-46 – Juízo final: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno.”
Evangelho segundo Marcos
Mc 8,36-38 – “Quem se envergonhar de mim… também o Filho do Homem se envergonhará dele.”
Mc 9,42-48 – Escândalo, mutilação simbólica e fogo que não se apaga.
Mc 11,12-14 / 20-21 – Maldição da figueira estéril (símbolo de juízo contra Israel infiel).
Mc 12,1-12 – Parábola dos vinhateiros homicidas.
Mc 13,1-37 – Discurso escatológico: tribulação e juízo.
Evangelho segundo Lucas
Lc 3,7-9 – João Batista: “Raça de víboras… já está posta a machado à raiz das árvores.”
Lc 6,24-26 – “Ai de vós, ricos… ai de vós que rides agora…”
Lc 10,10-16 – Rejeição das cidades: “No dia do juízo, será mais tolerável para Sodoma…”
Lc 12,4-5 – “Temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno.”
Lc 12,42-48 – Parábola do administrador infiel: açoites e punição.
Lc 13,1-5 – “Se não vos converterdes, perecereis todos.”
Lc 13,6-9 – Parábola da figueira estéril.
Lc 13,22-30 – Porta estreita e exclusão dos maus.
Lc 19,41-44 – Profecia da destruição de Jerusalém por rejeitarem a visitação de Deus.
Lc 20,9-19 – Parábola dos vinhateiros homicidas.
Evangelho segundo João
Jo 3,18-20 – Quem não crê já está condenado.
Jo 3,36 – “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; o que se recusa a crer… a ira de Deus permanece sobre ele.”
Jo 5,28-29 – Ressurreição para a vida ou para a condenação.
Jo 8,21-24 – “Morrereis em vossos pecados…”
Jo 12,48 – “Quem me rejeita… já tem quem o condene: a palavra que anunciei o julgará no último dia.”
Jo 15,1-6 – O ramo que não dá fruto é cortado e lançado ao fogo.
📌 Conclusão
Jesus, mesmo não deixando escritos pessoais extensos, preparou os discípulos para registrar Sua vida e Sua obra. A ordem direta para escrever, dada no Apocalipse, e a missão confiada aos evangelistas mostram que a Escritura é vontade expressa de Deus. A Bíblia, unindo Antigo e Novo Testamento, revela um único Deus — justo e misericordioso — que age na história para salvar Seu povo.
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