Alemanha planeja aumentar taxação para adultos sem filhos
Alemanha planeja aumentar taxação para adultos sem filhos A Alemanha abriu uma nova frente na batalha demográfica: colocar mais peso da conta dos cuidados de longa duração nas costas de quem não tem filhos, em nome da “solidariedade geracional”.
De um lado, o governo fala em aritmética fria. O Ministério da Saúde calcula um rombo de 22,5 bilhões de euros no caixa do auxílio-invalidez até 2028 e mira diretamente os adultos sem filhos para tapar parte do buraco. Hoje, quem tem filhos paga entre 3,1% e 3,6% da renda, enquanto os sem filhos já arcam com 4,2% — taxa-base de 3,6% mais 0,6% extra, cobrado a partir dos 23 anos. A proposta vazada eleva essa alíquota para 4,3%.
Alinhados ao governo, setores da coalizão tratam o aumento como ajuste inevitável num país em que um em cada cinco habitantes tem 67 anos ou mais, proporção que tende a crescer à medida que a geração do pós-guerra se aposenta. Nessa leitura, a diferenciação entre quem tem e quem não tem filhos seria uma forma pragmática de reconhecer que os filhos de hoje são os contribuintes de amanhã, sustentando um benefício que atende idosos, doentes crônicos e pessoas com deficiência.
Do outro lado, partidos críticos veem a medida como injusta e insuficiente. Para eles, o governo transforma escolha (ou impossibilidade) de ter filhos em critério fiscal, sem atacar de frente a sustentabilidade do sistema nem discutir alternativas mais amplas de financiamento. Em vez de uma grande reforma, enxergam mais um remendo — e um recado incômodo: envelhecer na Alemanha custa caro, mas não ter filhos pode sair ainda mais caro.
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