BNDES confirma venda de parte de suas ações na Petrobras

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, confirmou que o banco vendeu parte de suas ações da Petrobras em maio. A decisão foi motivada pela forte valorização dos papéis, que aproximou a participação do banco do limite prudencial de 25% estabelecido pelo Banco Central.
BNDES confirma venda de parte de suas ações na Petrobras

BNDES confirma venda de parte de suas ações na Petrobras O BNDES apertou o gatilho e se desfez de parte da sua fatia na Petrobras em plena maré de alta das ações. A operação, que poderia soar como desinvestimento em um dos maiores símbolos estatais do país, é apresentada pelo governo como engenharia de risco, não de ideologia.

De um lado, a versão oficial: Aloizio Mercadante sustenta que o banco não vendeu por opção política, mas porque a disparada dos papéis encostou no teto regulatório de concentração fixado pelo Banco Central. Segundo ele, havia risco concreto de ultrapassar o limite de 25% da carteira em uma única ação. A solução foi liquidar cerca de R$ 3 bilhões em ações da Petrobras e outros R$ 500 milhões da Axia Energia, preservando só preferenciais da petroleira.

A narrativa governista também vende a operação como faxina estratégica: sair de empresas “maduras” para irrigar novos setores. Mercadante fala em “reciclagem de carteira”, mirando tecnologia, descarbonização e inovação, em linha com o discurso de desenvolvimento verde. A mesma lógica se encaixa no programa Brasil Soberano 2, que promete até R$ 21 bilhões em crédito para exportadoras afetadas por tarifas dos EUA e pela guerra no Oriente Médio, com o BNDES se apresentando como o braço rápido do Planalto na liberação de recursos.

Na prática, porém, o movimento abre espaço para leituras contrastantes: para aliados, o BNDES age como banco de desenvolvimento, realizando ganho em Petrobras para financiar o “futuro”; para críticos potenciais, que ainda ecoam debates de outros governos, a venda pode soar como redução de presença estatal em um ativo estratégico bem no momento em que ele mais rende.

Sem admitir conflito, Mercadante tenta se equilibrar entre os dois mundos: caixa cheio com Petrobras hoje, narrativa de novo desenvolvimentismo amanhã.

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