EUA e Irã negociam acordo sobre cessar-fogo e programa nuclear

Os Estados Unidos e o Irã estão em negociações sobre um memorando de entendimento para estender o cessar-fogo por 60 dias e iniciar conversas sobre o programa nuclear iraniano. As versões sobre o conteúdo do acordo são contraditórias e a aprovação final depende do presidente Donald Trump.
EUA e Irã negociam acordo sobre cessar-fogo e programa nuclear

EUA e Irã negociam acordo sobre cessar-fogo e programa nuclear Os EUA dizem que a paz está “quase lá”. Teerã jura que o acordo “não é iminente”. No meio, um memorando de entendimento que ninguém assina, mas já mexe com dólar, petróleo e nervos globais.

Washington: acordo grande, ou nada

Do lado americano, a narrativa é de avanço e pressão calculada. Trump repete que o acerto com o Irã será “grande e significativo, ou não haverá acordo”, vendendo a ideia de que não repetirá o “desastroso” pacto nuclear de 2015. Seu secretário de Estado, Marco Rubio, fala em algo “bastante sólido” para abrir o Estreito de Ormuz e até sugere que o fim da guerra poderia ser anunciado “ainda nesta segunda”. Em paralelo, avisa que, se a diplomacia falhar, Washington pode “lidar com Teerã de outra maneira”.

Mercados compram o discurso: o dólar cai e a Bolsa sobe com o “possível acordo entre EUA e Irã”, impulsionados pela expectativa de queda no risco do petróleo. Fontes americanas falam em um memorando para prolongar o cessar-fogo por 60 dias, liberar Ormuz e abrir discussões nucleares, com remoção de minas iranianas em 30 dias e suspensão do bloqueio naval dos EUA.

Teerã: desconfiança e “linhas vermelhas”

Teerã admite “um certo grau de entendimento”, mas rejeita qualquer clima de contagem regressiva: dizer que a assinatura é iminente “é algo que ninguém pode sustentar”. O Irã acusa “instabilidade institucional” em Washington e lembra que “não há nenhuma garantia de que os Estados Unidos cumprirão seus compromissos”.

Enquanto fontes americanas alardeiam um acordo-quadro, a agência iraniana Tasnim nega que o texto esteja finalizado e diz que qualquer anúncio só será válido quando feito por Teerã — e informado ao Paquistão, mediador do processo. Autoridades iranianas falam em “linhas vermelhas” inegociáveis, especialmente na liberação de ativos congelados e na preservação de alguma capacidade nuclear doméstica.

Programas, portos e blefes

Os dois lados convergem num ponto: o Estreito de Ormuz é a chave. Washington quer reabrir a rota energética; Teerã insiste no direito de controlar o tráfego e até cobrar pelos “serviços de navegação e proteção ambiental”. Há também o esboço de um cessar-fogo estendido, suspensões parciais de sanções e um cronograma de até 60 dias para negociar o destino do urânio enriquecido.

O problema é tudo o que cerca o papel: ataques pontuais continuam, Israel pressiona, e cada lado acusa o outro de travar cláusulas sensíveis — de ativos congelados a inspeções nucleares. Até agora, o único consenso real é que o acordo existe e não existe ao mesmo tempo: suficiente para derrubar o preço do barril, insuficiente para encerrar uma guerra que já dura meses.

https://resumosbrasil.com/stories/019e7484-f360-3c9e-7071-14b815ba9512

Write a comment
No comments yet.