Países sul-americanos assinam acordo de cooperação contra o crime organizado

Em uma reunião em Santiago, ministros e autoridades de Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Peru assinaram um acordo regional para intensificar a cooperação contra o crime organizado transnacional. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também cobrou uma mobilização conjunta dos países da região.
Países sul-americanos assinam acordo de cooperação contra o crime organizado

Países sul-americanos assinam acordo de cooperação contra o crime organizado Países sul-americanos apertam o cerco ao crime organizado enquanto a pressão vem, ao mesmo tempo, de dentro da região e de Washington. A ofensiva nasce sob liderança majoritariamente conservadora — e já vira munição política.

Conservadores tentam liderar a narrativa

Revistas alinhadas à direita destacam que o novo pacto foi fechado por governos “governados por conservadores”. Em Santiago, Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Peru assinaram o “Compromisso Regional de Santiago contra o Crime Organizado Transnacional”, que promete medidas “concretas, mensuráveis e verificáveis” contra o crime, o narcotráfico e a migração irregular.

O presidente chileno José Antonio Kast subiu o tom, dizendo que os países estão “cansados de ver o crime organizado matar nossos jovens, subjugar nossos bairros e comprar nossos apoiadores”. Já o chanceler Francisco Pérez Mackenna admitiu que “os esforços nacionais são insuficientes” e precisam de mais “compartilhamento de informações”.

Peña quer protagonismo regional

Em Assunção, o presidente paraguaio Santiago Peña descreveu o crime organizado como “o vírus” que “não conhece fronteiras” e cobrou uma mobilização conjunta. Para ele, a disputa já não é sobre qual país é mais seguro, mas sobre provar que a América do Sul pode ser “o continente mais seguro”.

Peña oferece o Paraguai como “um centro de inteligência logística contra o crime organizado” para tornar a região “um território hostil para o crime”. O encontro ocorre sob presidência pro tempore paraguaia do Mercosul, reforçando a busca de protagonismo.

A sombra de Washington e a direita brasileira

Enquanto isso, a direita brasileira amplifica a linha dura dos EUA, que classificam PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. Eduardo Bolsonaro repercute mensagem do Departamento de Estado segundo a qual facções brasileiras representam “grave ameaça de segurança” a todo o hemisfério ocidental. Paulo Figueiredo faz o mesmo, ecoando a necessidade de ação coordenada contra os grupos.

Na prática, todos falam em cooperação. A diferença está no enquadramento: para uns, vitrine de governos conservadores; para outros, oportunidade de liderar a região; para Washington e seus aliados, peça de um tabuleiro hemisférico bem maior.

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