PF pressiona por prazo menor para nova proposta de delação de Daniel Vorcaro

A Polícia Federal solicitou um prazo menor para que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresente uma nova proposta de colaboração premiada, após a primeira ter sido rejeitada. O ministro do STF, André Mendonça, está avaliando o pedido, enquanto há ceticismo interno sobre o sucesso da negociação.
PF pressiona por prazo menor para nova proposta de delação de Daniel Vorcaro

PF pressiona por prazo menor para nova proposta de delação de Daniel Vorcaro A disputa em torno da delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, virou corrida contra o tempo — mas com um cronômetro que ninguém sabe se realmente precisa existir.

De um lado, a Polícia Federal pisa no acelerador. A corporação quer que a defesa apresente a nova proposta de colaboração em um prazo bem menor que as três semanas pedidas pelos advogados, insistindo em “rapidez” na negociação e em um limite claro para o regime excepcional de cela especial que facilita o contato com a defesa. A leitura é simples: benefício extra só se vier acompanhado de agilidade e algo realmente útil para a investigação.

Na mesma trilha, mas com o pé no freio, está o ministro André Mendonça, do STF. Ele avalia o pedido de encurtar o prazo, enquanto observa que a legislação sequer fixa tempo para esse tipo de acordo, que é direito do investigado. Internamente, porém, a mensagem é de frieza: as operações da Compliance Zero teriam mostrado capacidade de “caminhar com as próprias pernas”, tornando a delação de Vorcaro, na prática, dispensável.

O governo-alinhado reforça esse enquadramento: reportagens destacam a “pressão por prazo menor” da PF e o “forte ceticismo” tanto na corporação quanto no Supremo quanto à chance de a nova negociação render algo inédito. Vorcaro é descrito como um colaborador problemático: não teria admitido nem fatos captados em seus próprios celulares e tentou justificar crimes em vez de confessá-los, afrontando o requisito básico de boa-fé da delação premiada.

Resultado: enquanto a defesa pede tempo, PF e STF parecem combinar ceticismo e pragmatismo. A delação continua na mesa, mas o recado institucional é claro — sem fatos novos e admissão plena de culpa, o relógio pode até correr, mas o acordo não sai.

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