Comissão aprova relatório que conclui que JK foi assassinado pela ditadura
Comissão aprova relatório que conclui que JK foi assassinado pela ditadura A morte de Juscelino Kubitschek voltou ao centro da disputa de narrativas sobre a ditadura: acidente banal na Via Dutra ou atentado político cuidadosamente encoberto? Quase 50 anos depois, o Estado reabre a ferida — e muda, de novo, a versão oficial.
Comissão x versão histórica
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), ligada ao Ministério dos Direitos Humanos, aprovou um relatório que afirma sem rodeios: JK “foi morto pela ditadura em 1976, contestando a conclusão da época de que ele teria sido vítima de um acidente automobilístico”. Outro relato destaca que o parecer da comissão conclui que Juscelino foi assassinado em um atentado político, após “fraudes na investigação, manipulação de provas e testemunhas, inconsistências nos laudos periciais e atuação de militares no local do acidente”.
A nova leitura desmonta o enredo oficial de colisão com ônibus na Via Dutra, tese repetida por investigações da própria ditadura, por uma comissão externa da Câmara em 2001 e até pela Comissão Nacional da Verdade, que trataram o episódio como acidente.
Estado de hoje x Estado de ontem
De um lado, o órgão de Estado criado para reconhecer mortos e desaparecidos políticos reclassifica a morte de um ex-presidente como crime de regime autoritário, em linha com a atual política de memória e reparação. De outro, as estruturas periciais e militares do período ditatorial — as mesmas que, segundo o relatório, estiveram envolvidas em “37 fraudes” na apuração e chegaram rapidamente ao local assumindo o controle da cena — sustentaram por décadas a tese do acaso trágico.
Memória em disputa
Ao cravar que “o acidente não ocorreu como foi relatado” e que “o assassinato foi ocultado”, a comissão não apenas revisita um caso emblemático: ela confronta a própria capacidade do Estado brasileiro de dizer a verdade sobre sua história. Entre o laudo da ditadura e o novo veredito da CEMDP, o que muda não é o passado — é quem tem a caneta para narrá‑lo.
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