China defende 'não interferência' após EUA classificarem facções brasileiras como terroristas

Após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, a China, por meio da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, reiterou seu princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países. A declaração foi feita em meio a discussões sobre o fortalecimento da cooperação bilateral entre China e Brasil.
China defende 'não interferência' após EUA classificarem facções brasileiras como terroristas

China defende ‘não interferência’ após EUA classificarem facções brasileiras como terroristas A diplomacia virou campo de batalha: enquanto os EUA carimbam PCC e Comando Vermelho como terroristas, a China se esconde atrás do mantra da “não interferência” e o Brasil se divide entre aplausos e gritos de “soberania”.

China: neutralidade interessada

Pequim repete o script conhecido. A porta-voz Mao Ning reiterou que “a China sempre defende a não interferência nos assuntos internos de outros países” ao ser questionada sobre a decisão de Washington de listar PCC e CV como organizações terroristas. A posição é apresentada como respeito à soberania, num contexto em que a relação com o Brasil é descrita como parceria estratégica de destaque, a ser reforçada com a visita do chanceler Mauro Vieira e promessas de “confiança mútua” e cooperação Sul-Sul.

EUA e direita brasileira: guerra ao “narco-terrorismo”

Do outro lado, a Casa Branca iguala as facções brasileiras a Al-Qaeda e Estado Islâmico, com sanções rápidas e enquadramento como “organizações terroristas estrangeiras”, ampliando o alcance jurídico e financeiro da ofensiva americana. A direita brasileira embarca: Flávio Bolsonaro celebrou a medida e agradeceu ao governo Trump, defendendo que “o combate aos narco-terroristas precisa ser feito com a união entre os países afetados”.

Influenciadores bolsonaristas tratam a decisão como vitória moral. Paulo Figueiredo convocou “todos os brasileiros de bem” a agradecerem ao Departamento de Estado dos EUA. Já um tuíte irônico viralizado por ele lembra que a lei americana “não tem validade aqui no Brasil” e zomba: PCC e CV seriam terroristas lá e “ONGs” aqui, em nome de uma soberania de fachada.

Governo Lula e oposição: soberania em choque

O governo Lula reage na defensiva. Celso Amorim classificou a iniciativa de Washington como “pretexto para intervenção”, admitindo a importância da cooperação internacional, mas rechaçando qualquer brecha para ingerência externa. A linha é alinhada ao discurso chinês: soberania primeiro, ainda que isso complique o alinhamento com os EUA na pauta de segurança.

A oposição, por sua vez, acusa a esquerda de conivência. Para Rodrigo Constantino, “pela reação da esquerda, fica claro que estamos enfrentando terroristas e simpatizantes”, colocando no mesmo balaio comunismo, Foro de SP, PCC, PT e até a Globo.

No fim, PCC e Comando Vermelho viram termômetro geopolítico: para a China, um incômodo que não deve romper o dogma da não interferência; para os EUA e a direita brasileira, munição na cruzada contra o “narco-terrorismo”; para o governo Lula, um teste de até onde vai a soberania quando o crime organizado se torna pauta global.

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