Governo e ministros alertam para impacto econômico da decisão dos EUA sobre facções

Ministros do governo Lula, incluindo Dario Durigan (Fazenda), Ricardo Lewandowski e Geraldo Alckmin, alertaram para as graves consequências econômicas da classificação do PCC e CV como terroristas pelos EUA. Eles expressaram receio de que sanções possam atingir o sistema financeiro, o Pix e afastar investidores, transformando o Brasil em um "pária internacional".
Governo e ministros alertam para impacto econômico da decisão dos EUA sobre facções

Governo e ministros alertam para impacto econômico da decisão dos EUA sobre facções O rótulo de “terroristas” dado por Donald Trump ao PCC e ao Comando Vermelho virou teste de estresse para a economia brasileira – e munição pesada na guerra política entre governo Lula e bolsonarismo. No centro da disputa está o Pix, hoje espinha dorsal dos pagamentos no país.

De um lado, o governo acende todos os alertas. Dario Durigan, ministro da Fazenda, diz que a decisão dos EUA “pode desencadear consequências econômicas”, atingindo bancos, fundos, fintechs e até “a infraestrutura do Pix”. Em outra frente, ele fala em risco de “ataque ao Pix, uma suspensão, e que empresas que usem o Pix sofram punições” caso Washington vincule o sistema às facções. Na entrevista ao Globo, foi além: há “receio das instituições financeiras de sofrerem com uma discricionariedade de instrumentos de ataque” dos EUA. Para Durigan, tudo isso é um “ataque eleitoral, travestido de ato de designação, que não cabe e vai prejudicar a economia brasileira, prejudicar as famílias brasileiras” – e a família Bolsonaro é quem “coloca o Pix em perigo” ao fomentar a medida.

Geraldo Alckmin joga luz na motivação política: diz que o clã Bolsonaro “pensa mais em si do que no país” e cria “factoides para desviar a atenção do caso Master”. A classificação como terroristas, avalia, “é ruim para o Brasil”, pode ter “consequência no sistema financeiro, na economia”, “não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”.

Ricardo Lewandowski, hoje na iniciativa privada, mira o investidor: o Brasil corre risco de “virar um pária internacional”. País que “abriga organizações terroristas assusta os investidores estrangeiros” e “o custo de investir dinheiro no Brasil vai aumentar”, com empresas sujeitas até a sanções criminais por vínculos indiretos com facções.

Do outro lado do tabuleiro, aliados da direita comemoram a canetada de Washington. O comentarista Paulo Figueiredo conclama: “Todos os brasileiros de bem deveriam entrar aqui e deixar um THANK YOU” ao secretário de Estado americano e ao vice-secretário, garantindo que “eles lerão”. Já Rodrigo Constantino ecoa o discurso da embaixada dos EUA: as facções “representam uma grave ameaça à segurança não apenas do povo brasileiro, mas de todos os povos do Hemisfério Ocidental” – e ironiza Lula, dizendo que o Brasil “é sim [republiqueta]! E dominada por terroristas…”.

Enquanto o governo fala em soberania, risco jurídico e fuga de capital, a oposição celebra o enquadramento internacional das facções como vitória moral – e, de quebra, tenta colar no Planalto a pecha de leniente com o crime. No meio do fogo cruzado, bancos, empresas e usuários do Pix assistem ao novo front da polarização brasileira abrir-se no coração do sistema financeiro.

https://resumosbrasil.com/stories/019e7718-1496-3628-7118-35744638acb0

Write a comment
No comments yet.