Polícia Federal indicia Deolane Bezerra e Marcola por lavagem de dinheiro
Polícia Federal indicia Deolane Bezerra e Marcola por lavagem de dinheiro A prisão e o indiciamento de Deolane Bezerra ao lado de Marcola expõem um choque de narrativas: de um lado, a polícia descreve uma engrenagem financeira do PCC; de outro, a influenciadora e suas defesas falam em perseguição e criminalização da advocacia.
O que diz a investigação
A Operação Vérnix mira uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro que usaria uma transportadora de fachada, a Lado a Lado, para esconder patrimônio do PCC e irrigar contas ligadas a Deolane. O relatório da Polícia Civil detalha o papel de cada integrante, apontando Marcola e seu irmão Alejandro no topo, familiares como operadores de recursos e Everton “Player” como gestor indireto da transportadora e responsável por enviar dinheiro à influenciadora.
Outro flanco é o luxo: uma Lamborghini Huracan Evo de Deolane, avaliada em R$ 3,4 milhões, é tratada como peça de uma “engenharia de ocultação de bens” com sucessivas trocas de titularidade e blindagem patrimonial ligada a MC Ryan SP e operadores do PCC.
A linha de investigação se reforça com um áudio atribuído a integrante do crime organizado, em que se fala em “dinheiro oriundo do crime” ligado ao núcleo familiar de Deolane e se ameaça uma diarista acusada de furtar R$ 80 mil em espécie da casa do filho da advogada.
O que dizem as defesas
A narrativa das bancadas oposicionistas na imprensa enfatiza o elo com o PCC e o histórico de operações contra influenciadores, mas também registra que a defesa de Deolane afirma que os valores recebidos seriam honorários por serviços jurídicos, não dinheiro sujo. Em outra frente, ela alega ter atuado “estritamente como advogada” de familiares de Marcola e diz ser “perseguida pelo exercício da profissão”, enquanto seu advogado critica uma prisão decretada antes mesmo do indiciamento.
Já veículos alinhados ao governo sublinham a presunção de inocência: a defesa de Marcola e familiares ressalta que o indiciamento é “ato investigatório e não implica reconhecimento de culpabilidade”. A própria Deolane, em carta da prisão, afirma ser vítima de perseguição por ser “formadora de opinião”.
Entre laudos, áudios e carros de luxo, o caso se instala no ponto cego da política: onde termina a advocacia criminal e começa a lavagem de dinheiro do crime organizado.
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