Comissão Especial conclui que ex-presidente JK foi assassinado pela ditadura
Comissão Especial conclui que ex-presidente JK foi assassinado pela ditadura Um ex-presidente morto em 1976, um acidente de carro na versão oficial e, quase 50 anos depois, uma comissão estatal batendo o martelo: foi assassinato político. O caso Juscelino Kubitschek volta ao centro do debate, agora com o selo de um relatório oficial que reabre velhas feridas da ditadura.
Comissão x versão oficial
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou um relatório que conclui que JK “foi morto pela ditadura militar em 1976”, confrontando diretamente a narrativa de acidente na Via Dutra entre São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o documento, houve “fraudes na investigação, manipulação de provas e testemunhas” e “inconsistências nos laudos periciais”, além de atuação de militares no local logo após o episódio.
A relatora, a historiadora Maria Cecília Adão, afirma que há um conjunto robusto de evidências: “Temos provas que dizem que JK estava sendo perseguido, que houve uma forte perseguição a ele”. Ela sustenta que o caso deve ser entendido como atentado político, e não como mera tragédia rodoviária.
Trama política e indícios de encobrimento
O relatório descreve 37 fraudes na apuração da morte, entre elas a chegada rápida de militares ao local do acidente e o controle imediato da cena, o que teria permitido adulteração de provas. Há ainda relatos de manipulação de testemunhas e de que o motorista de JK pode ter sido sedado, sem que se fizesse exame toxicológico.
Maria Cecília também cita um detalhe perturbador: quinze dias antes, circulou na imprensa a notícia de que JK teria morrido em acidente exatamente no mesmo trecho da Dutra onde, depois, de fato morreria.
Próximo round: a certidão de óbito
Com a aprovação do relatório, a comissão parte agora para um gesto simbólico e jurídico poderoso: retificar a certidão de óbito de Juscelino Kubitschek, num processo que deve ser concluído até o fim de junho. Entre a versão oficial de ontem e a verdade histórica de hoje, o Estado brasileiro parece, enfim, escolher um lado.
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