Morre o filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, aos 104 anos

O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, um dos mais influentes pensadores dos séculos 20 e 21, morreu em Paris aos 104 anos. Conhecido pelo conceito de "pensamento complexo", sua vasta obra questionou a fragmentação do conhecimento e influenciou debates sobre educação, política e os desafios contemporâneos.
Morre o filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, aos 104 anos

Morre o filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, aos 104 anos A morte de Edgar Morin, aos 104 anos, põe frente a frente não apenas balanços de uma trajetória intelectual rara, mas também disputas políticas sobre o que fazer com seu legado. Todos o reverenciam; divergem no enquadramento.

De um lado, veículos de oposição optam por um registro mais “neutro”, sublinhando o peso acadêmico e o alcance global do pensador. Falam em “renomado filósofo” que deixa “uma compreensão integrada da realidade” e influência em educação, sociologia e comunicação, destacando obras como Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro e Cultura de Massa no Século XX. Outro texto resume Morin como “um dos intelectuais mais influentes do século 20 e início do século 21”, célebre pelo “pensamento complexo” e por refletir sobre política, democracia e desafios contemporâneos. Há ainda a ênfase na trajetória de resistência — da luta contra o nazismo ao rompimento antiestalinista com o Partido Comunista Francês — e na América Latina como um dos principais polos de recepção de sua obra.

Do outro lado, veículos alinhados ao governo também celebram Morin, mas encaixam sua biografia em chaves mais explícitas de engajamento político e utopia civilizatória. Um deles o define como criador do “pensamento complexo” e associa seu legado à defesa da “cidadania planetária” e da cooperação para enfrentar problemas globais. Outro o apresenta como “um dos filósofos mais importantes do século 20”, destacando o esforço para integrar ciência, política e meio ambiente e denunciar a compartimentalização do saber. Já uma terceira abordagem o descreve como “ícone humanista” cuja obra “transformou a compreensão do conhecimento, da educação e da condição humana”, insistindo na necessidade de “reconectar o conhecimento e abraçar a complexidade”.

Na prática, oposição e governistas convergem em algo raro: Morin é tratado como referência incontornável, não como arma de guerra cultural. A disputa já não é sobre se ele importa — mas sobre quem melhor herda o seu pensamento complexo.

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