EUA propõem tarifa adicional de 12,5% ao Brasil por alegações de trabalho forçado

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o país falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil contesta a medida, defendendo suas políticas internas de combate ao trabalho escravo e argumentando que a ação unilateral é incompatível com as regras da OMC.
EUA propõem tarifa adicional de 12,5% ao Brasil por alegações de trabalho forçado

EUA propõem tarifa adicional de 12,5% ao Brasil por alegações de trabalho forçado Os EUA apertam o torniquete comercial contra o Brasil com uma nova tarifa proposta de 12,5%, usando o combate ao trabalho forçado como justificativa – enquanto Brasília reage dizendo que a acusação é exagerada e a punição, unilateral.

De um lado, Washington tenta vender a medida como cruzada moral e defesa do trabalhador americano. O USTR colocou o Brasil num grupo de 60 países que “falharam em impor e fiscalizar efetivamente a proibição da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado” e propôs sobretaxa de 12,5% para quem, como Brasília, não teria um “regime eficaz de controle”. A prática desses países é classificada como “irracional” e fonte de “concorrência desleal” para empresas e trabalhadores dos EUA. O representante comercial Jamieson Greer foi direto: “A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais essa disparidade”.

Do outro lado, veículos alinhados ao governo brasileiro ressaltam que se trata de uma segunda frente de ataque – além do tarifaço de 25% já proposto – e que o Brasil contesta a narrativa de conivência com trabalho escravo, alegando possuir um sistema robusto de combate e chamando a sanção de incompatível com as regras da OMC.

A oposição ao governo brasileiro, porém, lê o episódio menos como perseguição exclusiva e mais como parte de um pacote global de pressão: a nova tarifa atinge Brasil e outros cerca de 60 países, em mais uma investigação baseada na mesma Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 usada por Donald Trump em outras retaliações. Analistas desse campo sublinham que o país foi parar na mesma lista de China, Índia, Japão e Reino Unido – um constrangimento geopolítico e comercial. Nas redes, a crítica é afiada: a medida “sequer é um caso isolado: serão mais de 70 países na mira”, ironiza o comentarista Paulo Figueiredo, sugerindo que não faz sentido tratar o episódio como complô pessoal contra Brasília.

A decisão final sobre se o tarifaço sai do papel – e se somará ou não à sobretaxa de 25% – está nas mãos de Donald Trump, após uma consulta pública já em andamento.

https://resumosbrasil.com/stories/019e8ce3-c246-3695-7089-0ec09d3de22a

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