Trump declara apoio a candidato de extrema-direita na Colômbia
Trump declara apoio a candidato de extrema-direita na Colômbia Trump transformou o segundo turno na Colômbia em plebiscito geopolítico: para uns, é a chance de alinhar Bogotá a Washington “como nunca antes”; para outros, o risco de voltar ao status de “colônia” em plena América Latina do século 21.
De um lado, a direita colombiana e aliados internacionais celebram. Donald Trump chamou Abelardo de la Espriella de “líder inteligente, forte e determinado” e deu “apoio total e irrestrito” ao advogado ultradireitista, ressaltando que o resultado é “muito importante para o futuro da Colômbia e sua relação com os Estados Unidos”. Na Truth Social, reforçou que a eleição decidirá o rumo da parceria bilateral e elogiou suas “grandes conquistas na vida”. O próprio Espriella prometeu uma relação com Washington “como nunca antes” e exaltou o papel dos EUA no combate ao crime e ao “narcoterrorismo”.
A linha dura é seu cartão de visita: ele defende ofensiva militar contra guerrilhas, rejeita processos de paz e propõe retirar a Colômbia da ONU, em estilo comparado ao de Nayib Bukele em El Salvador. No Brasil, figuras da extrema direita como Eduardo Bolsonaro venderam essa agenda como modelo de enfrentamento a “narcoterroristas”.
Do outro lado, o campo governista reage em tom de independência. Gustavo Petro enquadrou o gesto de Trump como pressão externa, conclamando os colombianos a votar em “plena liberdade” e a não se tornarem “nem escravos nem colônia de ninguém”, ao resgatar a memória das lutas de Bolívar e Nariño por “Liberdade e Soberania”.
Já a oposição progressista lê o movimento como parte de uma onda conservadora continental e alerta para o peso da rejeição a Petro. Pesquisa AtlasIntel mostra Espriella na frente, com 50,3% contra 42,6% de Iván Cepeda, altamente impulsionado pelos 53,2% que desaprovam o governo atual — 99,5% desses eleitores pretendem votar no candidato de extrema direita.
Entre a promessa de uma Colômbia hiperalinhada a Washington e o apelo à soberania latino-americana, o voto do dia 21 não escolhe apenas um presidente, mas qual capital terá mais peso sobre o futuro do país.
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