EUA comunicam ao Brasil que desejam negociar sobre novas tarifas
EUA comunicam ao Brasil que desejam negociar sobre novas tarifas Os EUA apertam o gatilho de um tarifaço contra o Brasil, mas ainda não puxaram totalmente o dedo: as sobretaxas foram anunciadas, mas seguem no modo “stand by”, enquanto Washington e Brasília correm contra um relógio de 30 dias para negociar.
Brasília: dano contido, diálogo em alta
Na narrativa oficial e governista, o copo está meio cheio. O recado central, repetido em diferentes versões, é que o comércio não foi atingido — ainda. Jamieson Greer informou a Mauro Vieira que as novas tarifas “ainda não estão em vigor” e que Washington mantém “disposição para dialogar”. Outra leitura alinhada ao governo reforça que os EUA “pretendem manter abertas as negociações” sobre as tarifas no centro da recente tensão bilateral.
Para a diplomacia brasileira, o fato de as recomendações de sobretaxas de 25% e 12,5% ainda estarem dentro do prazo de 30 dias definido por Lula e Trump é uma janela de oportunidade, não uma sentença.
Washington: mão pesada, sorriso diplomático
Do lado americano, o discurso é de mão estendida, mas com o porrete na mesa. O USTR propôs uma tarifa de 25% sobre todas as importações do Brasil, mirando temas como comércio digital, etanol, propriedade intelectual e desmatamento ilegal, com algumas exceções como carne, frutas, café, aeronaves, medicamentos e fertilizantes. Em paralelo, outra investigação sobre suposto uso de trabalho forçado em 60 países, incluindo o Brasil, embute uma taxa extra de 12,5%.
Relatos destacam que Greer, ao se aproximar de Vieira em Paris, frisou que há “canal de comunicação ativo” e interesse em dar “continuidade às tratativas”. Mas os textos em discussão podem elevar a taxação total a até 37,5%, praticamente retomando o patamar do velho protecionismo.
Convergência e contraste
Nos dois discursos, há um ponto comum: ninguém quer ser o lado que rompe a conversa. EUA falam em “continuar o diálogo” e o Itamaraty ecoa que a “disposição do Brasil é a mesma”. A diferença está no tom: Washington justifica o tarifaço com acusações de práticas “irrazoáveis” e falhas no combate ao trabalho forçado, enquanto Brasília vende a crise como um problema ainda negociável — desde que o relógio de 30 dias não zere.
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