Governo brasileiro reage a novas ameaças tarifárias dos EUA
Governo brasileiro reage a novas ameaças tarifárias dos EUA A nova ofensiva tarifária de Washington virou combustível para uma guerra política em Brasília: enquanto o Planalto fala em defesa da soberania, a oposição enxerga um aviso duro ao governo Lula – e até uma oportunidade eleitoral para Donald Trump.
O que querem os EUA
O USTR propôs sobretaxas de 12,5% para o Brasil e outros 58 países sob a alegação de falhas em proibir a importação de produtos feitos com trabalho forçado, em especial carne bovina congelada, cuja exportação brasileira quase dobrou em uma década e passou a incomodar os produtores americanos. A medida se soma a outra investigação, específica contra o Brasil, que já sugeria tarifa extra de 25% por “práticas comerciais injustas”, o que pode levar o tarifaço a 37,5% sobre parte das vendas aos EUA.
A leitura do governo Lula
Para o Planalto, trata-se de protecionismo disfarçado. O governo diz ter “profunda discordância” com as conclusões americanas, chama de “absurdo” ligar a competitividade brasileira a violações de direitos humanos e lembra que a OIT reconhece o país como referência no combate ao trabalho forçado. A resposta é endurecer no discurso – com Lula falando em “traidores da pátria” – e brandir a Lei da Reciprocidade, deixando claro que o Brasil “se reserva o direito” de reagir com medidas proporcionais se as tarifas forem adiante.
Como a oposição explora o caso
A direita vê outra história. Para críticos como Paulo Figueiredo, Lula teria escolhido peitar justamente quem decide o tamanho da conta: “O USTR propôs a tarifa, não o Departamento de Estado (Rubio)… O que faz Lula? Xinga Rubio ontem e hoje de novo! É evidente que Lula QUER tarifa, está cavando a falta”. Já o deputado Alexandre Ramagem enquadra as propostas como consequência interna: “A sugestão de tarifas americanas é resultado direto dos abusos e ilegalidades do STF, somados à leniência e incompetência do governo…”.
Na outra ponta, o governo insiste que não baixará a cabeça e que pode redirecionar comércio para outros mercados, inclusive a China, mesmo sob suspeita de “concorrência desleal” americana em relação à carne brasileira vendida aos chineses. Entre narrativa de soberania e acusação de incompetência, quem paga a conta, por enquanto, é o exportador brasileiro — e o clima para o encontro Lula–Trump no G7 tende a ser tudo, menos protocolar.
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