Seleção do Irã se prepara para Copa em meio a impasses com os EUA

A seleção do Irã obteve vistos para se concentrar no México para a Copa do Mundo, mas ainda aguarda autorização para entrar nos Estados Unidos, onde disputará os jogos da primeira fase. O Secretário de Estado dos EUA afirmou que a delegação iraniana será monitorada para evitar a entrada de indivíduos ligados a organizações terroristas.
Seleção do Irã se prepara para Copa em meio a impasses com os EUA

Seleção do Irã se prepara para Copa em meio a impasses com os EUA A preparação da seleção do Irã para a Copa virou um jogo de dois tempos: goleada diplomática no México, marcação cerrada dos Estados Unidos. Em campo neutro, o futebol; nas arquibancadas do poder, a memória de sanções, terrorismo e rivalidade geopolítica.

México abre as portas, EUA seguram o apito

Do lado mexicano, o enredo é de facilidades quase constrangedoras. Os vistos dos jogadores foram emitidos “em 48 horas, sem sua presença física e sem coleta de impressões digitais”. Resultado: a base em Tijuana está garantida, e a manchete soa quase celebratória — “Irã obtém vistos para entrar no México, onde fará concentração para Copa do Mundo”.

Nos bastidores, o roteiro é o mesmo em diferentes veículos: o Irã já tem tudo pronto para usar Tijuana como quartel‑general, mas ainda “não tem vistos para entrar nos Estados Unidos, onde disputará as três partidas da primeira fase”. O contraste é direto: porta escancarada ao sul, porta entreaberta ao norte.

Washington joga na defesa

Em Washington, a leitura é outra: segurança primeiro, futebol depois. O Secretário de Estado Marco Rubio insiste que “não temos problemas com os atletas (…) ou com a comissão técnica”, mas avisa que não permitirá a entrada de pessoas ligadas à Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), classificada como organização terrorista pela União Europeia. O recado é claro: a bola rola, mas sob vigilância.

Seleção em modo bunker

Enquanto isso, o Irã segue treinando em clima de bunker. O último amistoso antes da Copa, contra Mali, será “sem presença de público e imprensa”, decisão atribuída a objetivos táticos do técnico Amir Ghalenoei. Em campo, a equipe tenta provar que é apenas uma seleção buscando, em sua sétima participação, um inédito mata‑mata — enquanto fora dele carrega o peso de ser, ao mesmo tempo, convidada do México e suspeita em território americano.

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