Governo Lula busca negociação direta com Trump para reverter ameaças de tarifas
Governo Lula busca negociação direta com Trump para reverter ameaças de tarifas Lula aposta em conversa olho no olho com Donald Trump para desarmar um tarifaço de até 37,5% contra exportações brasileiras. Do outro lado, bolsonaristas tentam transformar o mesmo conflito em munição eleitoral – e Trump aparece ora como árbitro pragmático, ora como patrono da direita brasileira.
Planalto: diálogo duro, mas direto
No governo, a palavra de ordem é “negociar sem se ajoelhar”. Lula diz que o Brasil “dialoga, mas não abre mão da soberania” e rejeita voltar à “política de vira-lata diante das grandes potências”. A ida ao G7 virou peça central da estratégia: o Planalto vê a cúpula na França como chance para um encontro cara a cara após o que classifica como “agressão” tarifária dos EUA.
Mauro Vieira martela que o país “não identifica fundamentos” para as sobretaxas e espera que o tema chegue “em breve” à mesa de Trump. A chancelaria insiste que o Brasil já tem mecanismos contra trabalho forçado e que a justificativa americana é “absurda” e “protecionista”.
Tática política: Trump x Rubio x Bolsonaro
Nos bastidores, a aposta do Planalto é furar o bloqueio ideológico de Marco Rubio e falar direto com Trump. A leitura é que o secretário de Estado estaria “fechado” com a família Bolsonaro, enquanto o presidente americano ainda poderia ser convencido a aliviar o tarifaço – sem o Brasil ceder em pontos estratégicos como o Pix.
Ao mesmo tempo, o governo prepara o revés: se vier tarifaço, usará a Lei da Reciprocidade e explorará na campanha a proximidade entre Trump e Flávio Bolsonaro, reforçada pela recepção com tapete vermelho na Casa Branca.
O contra-ataque bolsonarista
A direita, porém, tenta virar o jogo. Paulo Figueiredo acusa Lula de sabotar a própria negociação ao “xingar Rubio”, “o homem que vai decidir sobre as tarifas”, e conclui que o presidente “QUER tarifa, está cavando a falta”. Eduardo Bolsonaro vai além e diz que “Lula não defende a soberania do Brasil, ele defende a soberania do crime”.
Enquanto diplomatas contam cada vírgula na OCDE, as redes sociais já transformaram o embate comercial em trailer antecipado da eleição de 2026 – com Trump no papel de juiz e, ao mesmo tempo, de cabo eleitoral.
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