Brasil anuncia intenção de comprar mais 20 caças Gripen

O governo brasileiro manifestou a intenção de adquirir um lote adicional de até 20 caças Saab Gripen E para a Força Aérea Brasileira (FAB). A decisão, que ampliaria a frota para 56 aeronaves, ocorre em meio a um aperto orçamentário no Ministério da Defesa, mas visa cumprir as metas de renovação da aviação de combate.
Brasil anuncia intenção de comprar mais 20 caças Gripen

Brasil anuncia intenção de comprar mais 20 caças Gripen O Brasil quer mais 20 caças Gripen no exato momento em que a Defesa sofre o maior bloqueio de verbas do governo. A aposta: sacrificar fôlego fiscal agora para não perder o bonde tecnológico e militar das próximas décadas.

O plano oficial: defesa primeiro, contas depois

O anúncio da intenção de adquirir até 20 Gripen E adicionais elevaria a frota prevista para 56 aeronaves, consolidando o modelo sueco como espinha dorsal da aviação de caça da FAB. A compra viria em cima do contrato original de 36 caças, assinado em 2014, dentro do programa de renovação iniciado ainda no fim dos anos 1990.

Para o governo, o movimento é estratégico: reforça a parceria tecnológica com a Suécia, amplia a produção em Gavião Peixoto (SP) e sinaliza continuidade de longo prazo ao projeto. Há previsão de produção no Brasil e expansão da capacidade industrial nacional ligada ao Gripen.

O choque com a realidade orçamentária

Do outro lado da planilha, a conta não fecha tão fácil. A Defesa foi justamente a pasta mais afetada pelo bloqueio recente, perdendo R$ 4,36 bilhões neste ano. Ainda assim, o governo fala em mais caças — sem cronograma e sem acordo fechado.

A revelação “pegou de surpresa pessoas ligadas ao programa”, num cenário descrito como “austero” para o ministério. O contrato original é hoje avaliado em R$ 29,5 bilhões, e a solução discutida é um aditivo dentro do limite legal de 25%, diluído ao longo de vários anos.

Expectativas da FAB e pressão sueca

A FAB, que sonhava com 120 caças avançados, continua correndo atrás: o ex-comandante já falava em “ao menos mais 30 aviões”. A Suécia, por sua vez, fez sua parte na “venda casada” ao comprar quatro C-390 da Embraer, enquanto aguarda o Brasil definir como pagará pelos novos Gripen.

Entre a ambição militar e a tesoura fiscal, o governo tenta equilibrar uma equação em que qualquer atraso custa caro — em reais e em capacidade de defesa.

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