Políticos marcam presença e trocam farpas na Marcha para Jesus em SP
Políticos marcam presença e trocam farpas na Marcha para Jesus em SP A Marcha para Jesus virou muito mais que cortejo de fé em São Paulo: num mesmo trio elétrico, Flávio Bolsonaro pregou “guerra espiritual” enquanto Jorge Messias, emissário de Lula, insistia que o evento não é palanque. No telefone, o presidente ficou fora da festa — oficialmente, para não misturar religião e eleição.
De um lado, o bolsonarismo abraça a marcha como palco central da pré-campanha. Flávio disse que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e que o “mundo do mal” será expulso do governo ainda este ano. Em outro discurso, repetiu que “o mal vai ser expulso do governo do Brasil”, ecoando a estratégia descrita por aliados: transformar a religião em pilar da comunicação para consolidar a base evangélica. Publicações simpáticas ao senador celebraram a multidão gritando “É Bolsonaro!” e o apresentaram como “realidade” presidencial.
Do outro lado, o governo tenta ocupar o mesmo espaço sem dar a impressão de campanha. Lula explicou a líderes da Marcha que não participa de atos religiosos em período eleitoral porque não quer “tirar proveito político de uma coisa sagrada”. Messias, enviado oficial, repetiu a linha: “o presidente me pediu… aqui não é lugar pra comício” e garantiu que “não vim fazer comício, não vim fazer uso político”. Ao ser provocado sobre dividir trio com Flávio, respondeu em tom bíblico: “Na mesa de Jesus tem lugar… até para Judas”.
A imprensa alinhada à oposição vê hipocrisia dos dois lados. Há quem ressalte que Lula encerra o mandato sem jamais pisar na Marcha e, neste ano, “sem justificar a ausência, envia Messias” ao reduto evangélico. Outros destacam que o trio reuniu praticamente todo o elenco do escândalo Banco Master, faltando “apenas Daniel Vorcaro”, preso, enquanto os demais posavam “em nome de Jesus”.
No pano de fundo, o próprio caráter da Marcha é disputado. Organizadores falam em respeito a “todas as diferenças e todas as crenças” e mídia tradicional registra um ato de dezenas de milhares de fiéis em louvor. Mas análises críticas lembram que, em ano eleitoral, o percurso de 3,5 km vira também passarela de candidatos — com shows, sorteio de carro elétrico e, principalmente, votos em jogo.
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