Eduardo Bolsonaro gera polêmica ao citar sistema Zelle dos EUA em debate sobre o Pix
Eduardo Bolsonaro gera polêmica ao citar sistema Zelle dos EUA em debate sobre o Pix Eduardo Bolsonaro conseguiu um feito raro: transformar um sistema de pagamentos em teste de soberania nacional. A simples menção ao Zelle, sistema privado dos EUA, como carta na manga em negociações sobre o Pix bastou para incendiar a política e expor rachaduras até no próprio bolsonarismo.
De um lado, a imprensa crítica e a oposição enxergam entrega de patrimônio nacional. A Revista Fórum destaca que Eduardo “defendeu que o governo Lula coloque o Pix em ‘mesa de negociação’ com Trump e troque pelo Zelle” e ainda saiu dizendo que “meu pai criou o PIX” — afirmação classificada como mentira, já que o sistema foi desenvolvido pelo Banco Central ao longo dos governos Lula e Dilma. Gleisi Hoffmann vai além e fala em método de “gente traidora e imbecil”, lembrando que o Pix é “infraestrutura pública brasileira, criada e regulada pelo Banco Central”, enquanto o Zelle é privado e cobra taxas. Carlos Zarattini carimba o episódio como “traição da família Bolsonaro ao Brasil” e diz que o bolsonarismo “parece disposto a entregar até isso para agradar interesses estrangeiros”.
Do outro lado, Eduardo tenta apagar o incêndio com gasolina. Primeiro, sugeriu que “dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos” usando o Zelle, “o Pix dos Estados Unidos”. Depois recuou em vídeo, negando ter defendido troca de sistema e chamando a repercussão de “patifaria”, insistindo que “o Pix é criado por Jair Messias Bolsonaro”. Em rede social, reforçou: “EU JAMAIS FALEI EM SUBSTITUIR O PIX! Pix foi criado pelo meu pai, sem taxas e assim deve permanecer. Sou pró-PIX”.
Há, porém, um ponto de consenso raro: tecnicamente, o Pix é superior. Textos explicativos lembram que ele é instantâneo, público, gratuito e com alcance nacional, enquanto o Zelle é uma rede privada de bancos, sujeita a taxas e com transações que podem demorar horas ou dias. Até analistas liberais nos EUA admitem que “o pix é INFINITAMENTE superior às ferramentas usadas nos EUA. Seria um sonho que a tecnologia do pix fosse exportada pra cá”.
No fim, o embate revela menos sobre tecnologia e mais sobre narrativa: governo e oposição disputam o Pix como símbolo de inovação e soberania; os Bolsonaro, acuados por tarifas e eleições, tentam reescrever a história em tempo real — e em 280 caracteres.
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