EUA impõem novas sanções ao presidente de Cuba e a membros da família Castro
EUA impõem novas sanções ao presidente de Cuba e a membros da família Castro Os Estados Unidos apertam ainda mais o torniquete sobre Havana, mirando agora diretamente Miguel Díaz-Canel, sua esposa e membros do clã Castro. Por trás das sanções, duas narrativas incompatíveis disputam o roteiro: combate ao autoritarismo ou velha guerra fria reembalada?
De Washington, o discurso é de cruzada moral. As medidas incluem o presidente cubano, familiares e uma teia de entidades como o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, o ICAP, a Amistur Cuba S.A., os Comitês de Defesa da Revolução e a mineradora La Victoria S.A., todos colocados na lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN), com bens bloqueados e qualquer transação com cidadãos ou empresas americanas proibida. Donald Trump classificou Cuba como “nação falida” e disse querer que o país seja “bem administrado”.
A ala alinhada ao governo cubano vê outra coisa: um cerco econômico que se intensifica sobre uma ilha já sufocada por sua pior crise desde 1959, sob um embargo que dura desde 1962 e agora combina sanções individuais, ações jurídicas e um bloqueio petrolífero de fato. Para esses veículos, as novas punições a Díaz-Canel – já sancionado antes pela repressão aos protestos de 2021 – e a parentes de Raúl Castro são parte de uma ofensiva que empurra Cuba ao limite humanitário, enquanto negociações entre Washington e Havana seguem sem resultados.
Já o campo oposicionista latino-americano celebra. A Revista Oeste destaca que as novas designações buscam “sufocar o governo atualmente comandado por Miguel Díaz-Canel” e se baseiam em ordem executiva que amplia o alvo a pessoas e entidades ligadas à repressão e à “ameaça à segurança nacional” dos EUA. No X, Rodrigo Constantino ecoa o recado de Marco Rubio: “A Administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério” e acusa Cuba de tentar exportar uma “revolução venenosa e maligna”.
No fim, tanto aliados de Havana quanto seus detratores concordam em algo: as sanções não são apenas contra indivíduos, mas contra um projeto de poder – seja ele visto como ditadura comunista ou como bastião de soberania.
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