Mendonça manda retirar tornozeleira de irmão do senador Ciro Nogueira

O ministro André Mendonça, do STF, determinou a retirada da tornozeleira eletrônica de Raimundo Neto e Silva Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Investigado no caso do Banco Master, a defesa argumentou que não havia risco de fuga e que Nogueira tem cooperado com as investigações.
Mendonça manda retirar tornozeleira de irmão do senador Ciro Nogueira

Mendonça manda retirar tornozeleira de irmão do senador Ciro Nogueira A decisão de André Mendonça de tirar a tornozeleira eletrônica do irmão de Ciro Nogueira virou munição para todos os lados: para uns, é gesto técnico e proporcional; para outros, afrouxamento em um caso que mexe com o coração do poder em Brasília.

De um lado, veículos mais alinhados à oposição sublinham o contexto explosivo: Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima não é um investigado qualquer, mas peça de uma investigação ampla sobre o Banco Master e a Operação Compliance Zero, que apura “crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa”. A ênfase está no alcance político do caso, que chega ao senador Ciro Nogueira e a um núcleo onde se cruzam empresários, banqueiros e agentes públicos.

A narrativa ressalta ainda que Raimundo foi alvo da quinta fase da operação, com passaporte retido, proibição de contato com outros investigados e monitoramento eletrônico — agora parcialmente desfeito por Mendonça. A crítica implícita: reduzir o controle em um inquérito desse porte pode sinalizar benevolência com a elite política.

Do outro lado, fontes governistas ou próximas ao campo progressista adotam tom mais jurídico do que inflamado. Destacam que Mendonça atendeu a um pedido da defesa ao concluir que “não há risco de fuga” para manter a tornozeleira, mantendo, porém, as demais cautelares como retenção de passaporte e restrição de contato. A decisão seria, nesse ângulo, um ajuste fino: menos espetáculo, mais proporcionalidade.

Também ganha peso o detalhe de que Raimundo aparece, segundo a PF, como administrador de uma empresa envolvida em aquisições suspeitas — algo que ele nega. Em comum entre as duas leituras, um ponto: ninguém trata o caso como encerrado. As investigações seguem, e o gesto de Mendonça, visto de perto, está longe de ser o “alívio total” que alguns tentam vender.

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