Eduardo Bolsonaro gera polêmica ao sugerir uso do sistema Zelle em negociações com EUA
Eduardo Bolsonaro gera polêmica ao sugerir uso do sistema Zelle em negociações com EUA Eduardo Bolsonaro conseguiu o improvável: transformar um debate técnico sobre meios de pagamento em guerra cultural por soberania nacional. No centro da confusão, uma frase sobre levar o Pix para a “mesa de negociação” com os EUA – e um recuo apressado logo depois.
De um lado, a imprensa progressista e setores ligados ao governo Lula viram “entreguismo” explícito. O Vermelho fala em tratar “o patrimônio financeiro do povo brasileiro como moeda de troca” ao criticar a ideia de colocar o Pix na barganha com Washington, enquanto lembra que o sistema brasileiro é público, gratuito e gerido pelo BC, ao contrário do Zelle, privado e controlado por grandes bancos norte-americanos. Colunistas como Leonardo Sakamoto afirmam que Eduardo “sugeriu que o Brasil poderia negociar o Pix com Washington”, reforçando o desgaste do irmão Flávio no episódio do “Tariflávio”.
Na mesma linha, análises econômicas apontam que a comparação técnica também não ajuda Eduardo: o Pix é mais rápido, tem maior alcance e integra todo o sistema financeiro, enquanto o Zelle é limitado a bancos participantes, pode demorar horas ou dias e cobra taxas em diversos casos. Até liberais de mercado usam o caso para exaltar a inovação brasileira: para a economista Renata Barreto, o Pix é “INFINITAMENTE superior” às ferramentas dos EUA e deveria, na verdade, ser exportado para lá.
Do outro lado, o próprio Eduardo e veículos simpáticos ao bolsonarismo falam em “narrativa absurda” da “velha mídia”. O Jornal da Cidade Online ecoa a versão de que ele nunca propôs “trocar” o Pix, apenas citou o Zelle como argumento em uma negociação e que seria “pró-Pix”. Em vídeo e nas redes, o ex-deputado insiste: “EU JAMAIS FALEI EM SUBSTITUIR O PIX!” e exige retratações da Globo e de outros jornais.
Há, porém, um ponto em que quase todo mundo concorda – e que expõe outro flanco de Eduardo. A tentativa de reescrever a história e atribuir a Jair Bolsonaro a criação do Pix é desmentida por reportagens que lembram: o sistema foi desenvolvido pelo Banco Central ao longo dos governos Lula e Dilma, sem vínculo técnico com o ex-presidente. Enquanto bolsonaristas erguem cartazes dizendo que “o Pix é do Brasil e do Bolsonaro”, críticos veem na cena menos orgulho nacional e mais apropriação indevida de uma política de Estado.
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