Jorge Messias diz que 'há lugar até para Judas' na Marcha para Jesus

O ministro da AGU, Jorge Messias, representando o governo Lula na Marcha para Jesus, afirmou que "na mesa de Jesus tem lugar até para Judas", ao comentar a presença de adversários políticos como Flávio Bolsonaro no mesmo evento. Messias ressaltou que estava no evento para levar uma mensagem de amor e não para fazer comício.
Jorge Messias diz que 'há lugar até para Judas' na Marcha para Jesus

Jorge Messias diz que ‘há lugar até para Judas’ na Marcha para Jesus Na Marcha para Jesus em São Paulo, dois projetos de país subiram no mesmo trio elétrico — um falando em “guerra espiritual”, outro pregando conciliação. O resultado foi um evento religioso transformado em vitrine política, com Bíblia numa mão e cálculo eleitoral na outra.

Governo Lula: amor, conciliação e recado “anti-comício”

Jorge Messias, advogado-geral da União e representante oficial de Lula, repetiu em todas as entrevistas a mesma linha: estava ali “para louvar e adorar”, não para fazer campanha, ecoando a orientação direta do presidente de que “a marcha não é lugar de comício, a marcha é lugar de louvor e adoração a Deus”. Ao ser questionado sobre dividir o trio com Flávio Bolsonaro, respondeu com a metáfora bíblica que virou manchete: “Na mesa de Jesus, tem lugar pra Tiago, tem lugar pra Pedro, tem lugar pra Tomé, tem lugar até para Judas. Na mesa de Jesus, o único perfeito é Deus”.

A mensagem, repetida por veículos alinhados ao governo, é clara: disputar o eleitor evangélico, mas vendendo tolerância e “amor cristão”.

Oposição: a marcha como palanque e campo de batalha

Do outro lado do mesmo trio, Flávio Bolsonaro ignorou o pedido de “nada de comício” e acionou sua base com a retórica costumeira. Transformou o ato em palco de “guerra espiritual”, dizendo que a celebração é resposta ao “mundo do mal” que estaria hoje no comando do governo e prometendo que esse “mal será expulso” ainda este ano. Em meio a um “reduto de bolsonaristas”, sua presença foi tratada como movimento de campanha explícito.

O mesmo evento, duas narrativas

Enquanto a imprensa governista sublinha a convivência de “diferentes correntes políticas” e a tentativa de manter o foco no caráter religioso do evento, veículos críticos ressaltam a tentativa de Messias de se diferenciar justamente do uso eleitoreiro do palco, repetindo que “hoje não é dia de comício”.

A Marcha para Jesus de 2026 acabou sendo menos sobre fé e mais sobre quem consegue converter melhor um versículo bíblico em capital político.

https://resumosbrasil.com/stories/019e95e7-f673-2038-7099-370cc6deee79

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