Jairinho é condenado e Monique Medeiros recebe perdão judicial no caso Henry Borel
Jairinho é condenado e Monique Medeiros recebe perdão judicial no caso Henry Borel A mesma sentença que jogou Jairinho na cadeia por mais de 43 anos transformou Monique Medeiros, na prática, em símbolo de impunidade para parte do país. O tribunal saiu com um culpado claro — mas a mãe de Henry dividiu o Brasil.
Dois vereditos, duas narrativas
Do lado técnico, o roteiro é conhecido: o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias pela morte de Henry, além de tortura e coação no processo. Os jurados entenderam que Monique não quis matar o filho, desclassificando a acusação para homicídio culposo; cabia à juíza decidir a pena — e ela aplicou o perdão judicial, previsto no Código Penal para casos em que o próprio fato já teria causado sofrimento extremo ao réu.
A defesa trabalhou pesado para humanizar Monique, exibindo aos jurados vídeos em que ela chama Henry de “príncipe, amado, gentil, carinhoso e amoroso” e ouve do menino que ela é a “melhor mãe do mundo”. O título de uma das reportagens resume essa estratégia: reforçar o “vínculo afetivo entre Monique e Henry Borel”.
Indignação: da família às redes
Para o pai, Leniel, a decisão é uma traição: “Mataram meu filho pela terceira vez”, estampou a revista Oeste. Na internet, o clima é de linchamento moral da sentença. “Que decisão BIZARRA!”, protesta Rodrigo Constantino em X, antes de decretar: “O Brasil, moralmente, morreu.” Allan dos Santos acusa a magistrada de ter usado “um argumento de gênero para justificar o perdão judicial”.
A direita bolsonarista transformou o caso em prova de “ativismo ideológico”: Nikolas Ferreira diz que a juíza “usou morte de criança como palanque ideológico” e critica o uso de misoginia e patriarcado para absolver Monique. Um portal fala em juíza que “usa misoginia para conceder perdão”. Outro ridiculariza a “prova” que teria definido o benefício — justamente o vídeo afetivo divulgado pela defesa.
Mesmo em veículos alinhados ao governo, há leitor chamando o Brasil de país onde “criminosos são considerados vítimas”.
Entre a vítima e a vilã
Do outro lado, ex-companheiras de Jairinho veem a condenação como reconhecimento tardio de um padrão de violência que teria sido ignorado por anos, mas apostam que “vai ter justiça ainda”. Já a juíza enquadra Monique como mulher sob cultura patriarcal e massacre público, algo que parte dos juristas entende ser compatível com o instituto do perdão judicial.
O resultado é um país dividido: para uns, uma mãe manipulada e devastada; para outros, mais um capítulo em que, como sintetizou uma leitora, “criminosos são considerados vítimas”.
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