Ponte no Acre desaba um dia após interdição e deixa feridos

A Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), desabou na noite de sexta-feira, menos de 24 horas após ser interditada pelo governo estadual devido a riscos estruturais. Quatro pessoas que desrespeitaram a interdição ficaram feridas. A estrutura, que custou mais de R$ 36 milhões, foi inaugurada há pouco mais de dois anos.
Ponte no Acre desaba um dia após interdição e deixa feridos

Ponte no Acre desaba um dia após interdição e deixa feridos Uma ponte recém-inaugurada, milionária e já interditada, não resistiu nem 24 horas ao próprio laudo de risco. No Acre, a Frei Paolino Baldassari virou metáfora de um país onde concreto cai mais rápido do que vêm as explicações.

Quanto custou — e quem paga a conta

Para a oposição, o número fala mais alto que qualquer laudo: uma obra de “mais de R$ 35 milhões” que desaba apenas dois anos e meio após inaugurada é sintoma de um sistema de obras públicas sem punição efetiva. Outro levantamento crava o valor em R$ 36 milhões, para uma ponte de 232 metros, aberta há pouco mais de dois anos e tida como ligação estratégica em Sena Madureira.

A imprensa mais alinhada ao governo repete o mesmo montante — “a obra custou R$ 36 milhões e foi inaugurada há apenas 2 anos e meio” — mas muda o foco: menos na conta política, mais na cronologia do desastre e na resposta oficial.

Falha estrutural ou tragédia da natureza?

Enquanto veículos críticos cobram investigação “exemplar” de fiscais, engenheiros e empresa responsável, lembrando que casos anteriores terminaram sem punição, o governo do Acre aponta para fenômenos naturais, como erosão nas margens do rio Iaco, citados em nota oficial como possível fator para o colapso.

Ainda assim, a governadora Mailza Assis tenta se colocar no lado da cobrança: promete que a construtora, que ainda estava “dentro do período de garantia”, será responsabilizada, com pedido de bloqueio de bens e obrigação de reconstruir a travessia. Outra comunicação oficial reforça que a empresa assumiu integralmente projeto e execução e será acionada na Justiça para reparar danos e refazer a ponte ou oferecer solução alternativa.

Interdição ignorada, vidas em risco

Todos os lados concordam em um ponto: a ponte estava formalmente interditada desde a véspera, após técnicos identificarem “riscos de desabamento”. Mas as imagens mostram pessoas na estrutura à noite, inclusive um juiz aposentado que fazia uma live criticando a obra no momento em que parte da ponte — cerca de 60% — cedeu.

Relatos de sobreviventes escancaram o improviso trágico: “Caí direto no rio e consegui nadar até encontrar um ponto de apoio” descreve o caminhoneiro que ajudou a resgatar o colega preso nos escombros, sem imaginar que uma ponte nova pudesse ruir com gente em cima.

O resultado é o mesmo, sob qualquer lente ideológica: quatro feridos, dois em estado grave ou gravíssimo, e uma ponte cara, nova e caída — símbolo perfeito da engenharia política brasileira.

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