Kassio Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel a pedido de Flávio Bolsonaro

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, suspendeu liminarmente a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel a pedido do senador Flávio Bolsonaro. A campanha alegou que a metodologia, que incluía um áudio sobre o caso do Banco Master, poderia ter induzido os entrevistados a uma percepção negativa, comprometendo a neutralidade do levantamento.
Kassio Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel a pedido de Flávio Bolsonaro

Kassio Nunes Marques suspende pesquisa AtlasIntel a pedido de Flávio Bolsonaro A liminar de Kassio Nunes Marques contra a AtlasIntel virou o primeiro teste de estresse da eleição de 2026: de um lado, quem fala em defesa da metodologia e do devido processo; de outro, quem enxerga censura explícita em favor de Flávio Bolsonaro.

Kassio, PL e a cruzada contra a “pesquisa contaminada”

Na versão do ministro e do PL, a AtlasIntel cruzou a linha da pesquisa para entrar no terreno da propaganda negativa. Ele apontou “indícios relevantes de comprometimento da metodologia” e possível uso do questionário como “mecanismo de indução do entrevistado” ao tratar em série do caso Banco Master e do áudio de Flávio com Daniel Vorcaro. Veículos alinhados à oposição a Lula enfatizam que o levantamento mostrava “números bizarros” e um “derretimento” de Flávio em relação a Lula, o que, para o PL, comprovaria o efeito artificial da narrativa embutida nas perguntas.

Essa leitura ecoa em parte da direita midiática, que fala em pesquisa “estruturada de forma a induzir gravemente uma percepção negativa” do senador e celebra o freio do TSE como correção de rota metodológica.

PT, esquerda e a palavra proibida: censura

Na outra ponta, petistas e aliados viram na caneta de Kassio um ensaio de tutela da informação eleitoral. Dirigentes do PT classificaram a decisão como “censura” e um “precedente perigoso”, lembrando que a Justiça Eleitoral tradicionalmente só barra pesquisas por falhas formais de registro, não por conteúdo. Articulistas apontam que o ministro, indicado por Jair Bolsonaro, inaugurou a chefia do TSE com uma “mão amiga” a Flávio, justamente no momento em que o escândalo Vorcaro mina o presidenciável do PL.

Nas redes, a hashtag “Flávio Bolsonaro ditador” subiu entre os assuntos mais comentados, alimentada por críticas de que a família defende liberdade de expressão “só até a página 2”. Parlamentares como Lindbergh Farias acusam o senador de tentar “impor censura” para apagar a própria cobrança de R$ 61 milhões ao banqueiro para o filme “Dark Horse”.

AtlasIntel no fogo cruzado

O instituto, por sua vez, se diz tecnicamente seguro e politicamente alvejado. Alega que o áudio só foi apresentado depois de concluído o questionário eleitoral principal, sem chance de alterar as respostas, e que o teste audiovisual tinha “finalidade analítica distinta”, para medir reação ao conteúdo, não para inflar a queda de Flávio. O CEO Andrei Roman lembra que já foi atacado “pela esquerda e pela direita” quando os números contrariavam interesses, e aposta que, como em crises anteriores, a controvérsia acabará fortalecendo a reputação global da empresa.

Curiosamente, a AtlasIntel decidiu não recorrer da liminar, optando por colaborar com o TSE e confiar no plenário para “afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”.

Tribunal no centro do tabuleiro

Enquanto a campanha de Lula vê na decisão um sinal de possível intervencionismo futuro, aliados de Kassio apostam que o plenário confirmará a suspensão e, com isso, abrirá uma “guerra das pesquisas” em 2026: cada questionário, cada áudio, cada adjetivo poderá parar no banco dos réus do TSE.

Em ano de hiperpolarização, o recado é claro: não são só os candidatos que estão em disputa. O campo de batalha agora inclui o próprio termômetro — as pesquisas — e quem decide se elas podem ou não chegar aos olhos do eleitor.

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