Lula viaja para participar da cúpula do G7 na França

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou para Évian-les-Bains, na França, para participar da cúpula do G7. Como convidado, Lula pretende discutir parcerias internacionais, crescimento econômico e inteligência artificial, além de buscar um possível diálogo informal com o presidente dos EUA, Donald Trump.
Lula viaja para participar da cúpula do G7 na França

Lula viaja para participar da cúpula do G7 na França Lula chega ao G7 em Évian-les-Bains tentando surfar duas ondas ao mesmo tempo: vender o Brasil como potência em ascensão e, ao mesmo tempo, driblar o protecionismo de Donald Trump num clube de ricos em crise de relevância.

De um lado, a narrativa governista trata a viagem como vitrine de liderança e oportunidade comercial. Lula vai à cúpula “mirando acordo com o Japão” e usando o tarifaço dos EUA como brecha para aproximar Mercosul e Tóquio. A agenda oficial fala em parcerias internacionais, crescimento econômico equilibrado e inteligência artificial, com bilaterais marcadas com Emmanuel Macron e a primeira‑ministra Sanae Takaichi. Convidado por Macron, Lula enfatiza que, pela décima vez, “representará o Brasil na Cúpula do G7”, reforçando a imagem de um país de volta ao centro das conversas globais.

No mesmo campo, o Planalto tenta transformar o atrito com Washington em palco político. Segundo o ministro José Guimarães, Lula quer conversar com Trump para “desfazer a trama que os falsos patriotas fizeram contra nossa soberania, nossa economia, que resultou em sanções e tarifaços”, numa crítica direta ao bolsonarismo. A viagem foi até antecipada para tentar garantir um contato com o presidente americano, diante da possibilidade de ele aparecer apenas na abertura da cúpula.

Já a leitura da oposição mira menos em Lula e mais no próprio G7: um bloco “com a relevância ameaçada” por disputas internas e pela ascensão de potências médias como o próprio Brasil. Analistas falam em “paralisia funcional crônica”, com a ruptura entre EUA e os demais membros se estendendo a “quase todas as questões que deveriam uni-los”, das tarifas à política energética.

No fim, governo pinta o palco como consagração e chance de negócios; a oposição, como teatro de um clube decadente. Mas ambos concordam em algo incômodo para o G7: sem países como o Brasil, o show hoje seria bem menor.

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