Lula chega à França para participar da Cúpula do G7
Lula chega à França para participar da Cúpula do G7 Lula desembarca em Évian tentando vender ao mundo a imagem de estadista do Sul Global – mas chega cercado por um tarifaço norte-americano e pela dúvida: o G7 será palco de influência ou de improviso diplomático?
De um lado, a máquina governista pinta o cenário em tons de protagonismo. Lula é apresentado como veterano respeitado, em sua décima participação no G7, convidado para defender desenvolvimento, reforma da governança global e voz para o Sul Global em meio a crises geopolíticas e econômicas. A agenda oficial enfatiza encontros com Macron, a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi e o suíço Guy Parmelin, com foco em minerais críticos, IA e ampliação do comércio, inclusive via Mercosul-EFTA. Nesse enredo, o eventual papo com Donald Trump é peça de uma estratégia maior contra o protecionismo e o unilateralismo.
Do outro lado, veículos críticos e oposicionistas enxergam mais reação do que liderança. Destacam que Lula só decidiu ir após a ameaça de novas tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, combinando 25% por “práticas desleais” e 12,5% ligadas ao combate ao trabalho forçado. Para essa leitura, a viagem é uma resposta defensiva a uma ofensiva comercial sem precedentes de Washington, inclusive com incômodo sobre a classificação de PCC e CV como organizações terroristas.
Há, porém, um ponto em comum: todos admitem que o governo aposta numa conversa informal com Trump – já que ninguém pediu reunião formal – para tentar brecar o tarifaço. A divergência é outra: se Lula chega a Évian como articulador global em um G7 em busca de relevância num mundo multipolar, ou como bombeiro chamado às pressas para apagar um incêndio comercial aceso pela Casa Branca.
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