Governo retira urgência de projeto sobre o fim da escala de trabalho 6x1
Governo retira urgência de projeto sobre o fim da escala de trabalho 6x1 O fim da escala 6x1 virou menos debate sobre jornada de trabalho e mais guerra de posição entre Planalto, Câmara e Senado. Ao retirar a urgência constitucional do projeto, o governo Lula destrava a pauta, mas embaralha o caminho de uma das principais bandeiras trabalhistas da gestão.
De um lado, o Planalto vende o movimento como gesto calculado. A retirada da urgência do projeto que “regula o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais” é apresentada como forma de “preservar o texto original da proposta” e, ao mesmo tempo, como aceno ao presidente da Câmara, Hugo Motta, incomodado com a pauta trancada. Outro relato aponta a mesma lógica: o governo “deve retirar a urgência constitucional do projeto de lei que adequa a CLT ao fim da escala 6x1”, justamente para evitar que o mecanismo continue bloqueando votações e para manter Motta no campo governista num momento de atrito com o Senado.
Do outro lado da Praça dos Três Poderes, a Câmara tenta se afirmar como dona do jogo. Motta já havia avisado que, “mesmo que o governo não retire a urgência”, o texto seria votado para “desobstruir a pauta”, repetindo o conteúdo da PEC aprovada em maio e empurrando a bola para o Senado. Ao confirmar a retirada, o Planalto, na prática, aceita a pressão e permite que a Casa volte a tocar projetos como inteligência artificial, criminalização da misoginia e ampliação do faturamento dos MEIs.
Há ainda o flanco interno no próprio campo governista. Enquanto veículos destacam que a medida “destrava a pauta da Câmara dos Deputados”, registram também que a decisão foi criticada por aliados, como o deputado Lindbergh Farias, que classificou a retirada da urgência do projeto da 6x1 como “erro grave”. A mesma decisão que libera o plenário e tenta conter “pautas-bomba” fiscais pode, para o eleitorado trabalhista, soar como recuo em uma promessa emblemática.
No balanço, Planalto, Câmara e Senado seguem mirando o mesmo tema — o fim da 6x1 —, mas por caminhos divergentes: o governo quer preservar sua marca social; Motta, seu poder de agenda; e Alcolumbre, no Senado, mantém a PEC parada, segurando a chave final da mudança.
https://resumosbrasil.com/stories/019ed26b-411e-2f77-7036-02994b9ae601
Write a comment