Mbappé marca dois, supera recordes e garante vitória da França sobre o Senegal

Kylian Mbappé marcou dois gols na vitória da França por 3 a 1 sobre o Senegal na estreia da Copa do Mundo. Com os gols, ele ultrapassou Olivier Giroud como maior artilheiro da história da seleção francesa e superou Pelé e Messi em número de gols marcados em Copas, chegando a 14.
Mbappé marca dois, supera recordes e garante vitória da França sobre o Senegal

Mbappé marca dois, supera recordes e garante vitória da França sobre o Senegal Mbappé não ganhou só um jogo; ganhou, ao mesmo tempo, um culto à própria grandeza e um coro de alertas sobre as fragilidades da França. A vitória por 3 a 1 sobre o Senegal virou palco de disputa entre quem vê um time irresistível e quem enxerga um gigante ainda vacilante.

De um lado, a narrativa triunfalista. Portais esportivos destacam que o camisa 10 “supera Pelé e iguala Messi” em gols de Copa, projetando a caça ao recorde de Miroslav Klose. Outros sublinham que ele “decide, bate recorde histórico e [a] França vence Senegal em estreia na Copa”, reforçando a centralidade do craque no projeto de terceira final seguida. A Folha crava que ele “marca, supera Pelé e Messi, e França estreia com vitória na Copa”, lembrando que agora são 14 gols em 15 jogos de Mundiais, número superior ao do Rei e de Messi. Outro texto vai além: Mbappé “supera Pelé em gols em Copas do Mundo e exalta o Rei”, chamando Pelé de “o rei, o melhor”.

Na leitura tática e emocional, colunistas pintam um monstro coletivo: “Parece que a França é tudo isso sim”, escreve Milly Lacombe, descrevendo um primeiro tempo tedioso e um segundo tempo em “máximo esplendor”, com um time versátil, criativo e com um Mbappé decisivo para o 3 a 1. Milton Neves vai na mesma toada: Senegal foi valente, mas “segurar a França é a tarefa mais difícil desta Copa”. A análise de jogo da UOL reforça o roteiro: início ruim, reação comandada por Mbappé, recorde de gols pela seleção e até comemoração com flauta.

O próprio vestiário francês sustenta o mito, mas com freios. Deschamps chama o atacante de “excepcional” e capaz de “mudar uma partida”, mesmo “tão novo”, ao mesmo tempo em que admite “erros técnicos” e “falta de precisão”. O ge resume o clima: Mbappé “vê França abaixo do esperado, mas ignora críticos”. Em outra matéria, ele reforça que não joga por revanche: “Teria que jogar até os 80 anos se quisesse calar os críticos”.

Do lado senegalês, nada de rendição moral. Pape Thiaw lamenta a “atitude passiva” e a pouca agressividade, dizendo que o time “podia ter feito mais gols” e que “a distância técnica das equipes africanas em relação ao resto do mundo tem diminuído”. Milton Neves ecoa: o 3 a 1 “talvez seja pesado” diante do que o Senegal produziu, mas esbarra na qualidade individual francesa.

Na imprensa francesa, o tom é de coroação nacional. Manchetes falam em Mbappé “na história”, após chegar a 58 gols pela seleção, ultrapassando Giroud e se aproximando também do topo das Copas. Outra leitura lembra que, com 14 gols em Mundiais, ele “supera Pelé, Messi e fica a 2 gols de ser o maior artilheiro da Copa”, colando em Ronaldo e Klose.

Nas redes, o contraste é ainda mais cru. Um blog relata que, no primeiro tempo, o francês foi alvo de memes e ironias, para depois terminar “exaltado nas redes” após os dois gols, chegando aos mesmos 14 tentos que o colocam à frente de Pelé em Mundiais.

Já a única voz de oposição política ao tom quase oficial de exaltação não questiona o feito, mas insere nuances: a Revista Fórum fala em “parte da história do futebol” sendo construída na vitória, ao registrar que Mbappé passa Pelé, Messi, Fontaine e Giroud e “inicia caça à Klose”. É menos propaganda de hegemonia francesa e mais fotografia de um desequilíbrio estrutural: talento concentrado de um lado, resistência digna e quase sem recompensa do outro.

No fim, todas as lentes convergem para o mesmo fato bruto: Mbappé empilhou recordes em Nova Jersey. A divergência está no que fazer com isso — consagrá-lo como inevitável, usá-lo para vender a França como superpotência incontestável, ou lembrar que até os deuses do futebol dependem, às vezes, de um time que só acorda depois do intervalo.

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