Jogador iraniano Mehdi Torabi recebe novo visto para permanecer na Copa do Mundo
Jogador iraniano Mehdi Torabi recebe novo visto para permanecer na Copa do Mundo A novela do visto de Mehdi Torabi virou símbolo de uma Copa em que a política joga tão pesado quanto a bola: o meia iraniano quase ficou fora do Mundial por um carimbo vencido, mas acabou salvo por um novo visto de múltiplas entradas para os Estados Unidos.
Enquanto Teerã celebra o “final feliz”, os bastidores revelam um jogo bem mais complexo.
Versão oficial: eficiência sob pressão
A Federação Iraniana de Futebol apressou-se em anunciar que Torabi recebeu um novo visto de múltiplas entradas após o anterior expirar quando ele deixou os EUA depois da estreia em Los Angeles. Em novo comunicado, destacou que, com a ajuda da Fifa, o país norte‑americano concedeu outra autorização para que o camisa 16 siga normalmente na Copa.
Na narrativa oficial, o episódio comprova capacidade de articulação: “após esforços da Federação de Futebol e coordenação com a Fifa, o jogador recebeu um novo visto de múltiplas entradas”. Resultado: Torabi “não terá problemas para acompanhar a seleção iraniana em suas próximas partidas”.
Versão da delegação: Copa sob cerco
Já o staff técnico pinta um quadro de perseguição. A delegação lembra que a base de treinos precisou ser mudada de Tucson (Arizona) para Tijuana, no México, por incertezas na emissão de vistos, o que levou ao cancelamento de três amistosos preparatórios. Alguns funcionários tiveram vistos negados, e até o capitão Mehdi Taremi chegou a ficar retido em aeroporto, atrasando o retorno da equipe ao México.
O técnico Amir Ghalenoei fala em “injustiça” e define o Irã como a equipe “mais oprimida” da história das Copas, em meio à guerra com EUA e Israel e à promessa de um acordo de paz iminente na Suíça.
Geopolítica em chute de três dedos
Há ainda uma camada mais espinhosa: Torabi é descrito como “fervoroso apoiador do governo iraniano” e com ligações com a Guarda Revolucionária Islâmica, classificada pelos EUA como “entidade terrorista”. Em 2019, vestiu em campo a frase: “A única maneira de salvar o país é obedecer à liderança”.
No fim, o novo visto mantém o jogador em campo, mas expõe um Mundial em que fronteiras, sanções e ideologia interferem tanto na escalação quanto o departamento médico.
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