Filme sobre Jair Bolsonaro, 'Dark Horse', estreia nos EUA
Filme sobre Jair Bolsonaro, ‘Dark Horse’, estreia nos EUA Um filme sobre Jair Bolsonaro virou mais um capítulo da guerra cultural brasileira — só que, desta vez, o campo de batalha é Las Vegas, não Brasília. “Dark Horse” chega primeiro ao público conservador dos EUA enquanto, no Brasil, ainda enfrenta suspeitas e tentativas de censura.
De um lado, a narrativa triunfalista da direita bolsonarista. O longa, estrelado por Jim Caviezel, foi apresentado como peça de exportação da versão heroica de Bolsonaro: a pré-estreia ocorreu em um evento conservador, o Fraud-Fighter Summit, onde a produção foi exibida pela primeira vez ao público nos EUA. Eduardo Bolsonaro vende o filme como arma na “guerra cultural” e promete que será um “pesadelo para a esquerda”, destacando que foi rodado em inglês “de propósito” para escapar de bloqueios no Brasil e buscar um “sucesso mundial”.
Do outro lado, a oposição mira no dinheiro e no timing eleitoral. A obra foi financiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e alvo de investigação no que é chamado de “maior escândalo bancário da história do país”, o que já transformou o filme em assunto quente antes mesmo de chegar às salas de cinema. O PT acionou a Justiça Eleitoral para tentar barrar a exibição até a eleição de 2026, em uma disputa aberta sobre o uso político do cinema; o pedido foi rejeitado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
Enquanto isso, o diretor Cyrus Nowrasteh nem tenta disfarçar a ambição eleitoral: ele diz esperar que brasileiros reconheçam ali “sua história recente” e que o filme ajude a “levar Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”. Entre blockbuster político e peça de campanha informal, “Dark Horse” estreia como símbolo perfeito da polarização: para uns, épico patriótico; para outros, propaganda bilionária travestida de cinema.
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