PF deflagra operação contra o senador Jaques Wagner no âmbito do Caso Master
PF deflagra operação contra o senador Jaques Wagner no âmbito do Caso Master A 9ª fase da Operação Compliance Zero explodiu no colo do governo Lula e da oposição ao mesmo tempo: enquanto a PF mira o líder do Planalto no Senado, Jaques Wagner, ambos os lados correm para empurrar o Banco Master para o colo do outro campo político.
De um lado, a narrativa policial. A PF apura um suposto pacote de mimos: apartamento de luxo em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, repasses de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, ligada à família de Wagner, e atuação em favor da chamada “Emenda Master”, que ampliaria a cobertura do FGC e interessava diretamente ao banco. O Ministério Público também aponta pagamentos milionários à empresa da nora do senador, que teria recebido R$ 12 milhões do Master entre 2022 e 2025. Em Brasília, agentes ainda recolheram US$ 49 mil em espécie e relógios de luxo em endereço ligado ao petista.
No outro lado do ringue, o próprio Wagner tenta separar Bahia e Master. Ele alega que sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, limitou‑se à privatização da Cesta do Povo, um “ativo público deficitário”, e que a gênese do escândalo está na autorização do Banco Central, na gestão Roberto Campos Neto, para a entrada de Vorcaro no antigo Banco Máxima.
A oposição não perdoa. Colunistas e políticos de direita ressaltam que o elo baiano – Cesta do Povo, Credcesta e a exclusividade no consignado de servidores – teria criado uma “mina de ouro” para o Master. Um tuíte de Eduardo Bolsonaro viralizou ao culpar Wagner pela origem do banco, lembrando que, como secretário na Bahia, ele teria “entregado de mão beijada” o negócio a Lima e Vorcaro.
Já o governo e o PT correm para conter o dano. O presidente do partido, Edinho Silva, diz que Wagner é “depositário de toda a nossa confiança” e que apoiam as investigações para que ele prove inocência. Artigos alinhados ao governo insistem que a investigação mira o senador “individualmente” e não o Planalto ou o PT, alertando, porém, que manter Wagner na liderança pode arrastar o governo para uma crise que “não lhe pertence”.
No fim, a PF vende a imagem de isenção: após mirar figuras bolsonaristas como Ciro Nogueira e Cláudio Castro, a entrada pesada sobre Wagner desmonta o discurso de perseguição seletiva da direita. No tabuleiro eleitoral, porém, o Caso Master já virou arma de mão dupla – e, qualquer que seja o desfecho, alguém vai pagar a conta.
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