Lula afirma no G7: 'Eu nunca fui esquerdista'

Durante uma conversa informal com líderes na cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que nunca foi esquerdista. A afirmação, captada pela transmissão oficial do evento, foi feita ao lado da diretora-geral do FMI e do chanceler alemão, onde Lula se definiu como um dirigente sindical pragmático.
Lula afirma no G7: 'Eu nunca fui esquerdista'

Lula afirma no G7: ‘Eu nunca fui esquerdista’ No palco do G7, a frase de Lula – “nunca fui esquerdista” – virou menos um deslize de microfone aberto e mais um teste de estresse para a identidade política do presidente e da própria esquerda brasileira.

O que Lula diz de si mesmo

Na conversa informal com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão Friedrich Merz, Lula se apresentou como um sindicalista pragmático, com “belíssima relação” com o sindicalismo europeu, e não como militante ideológico. Ele emendou que “o mundo não é de esquerda”, mas “do caminho do meio”, defendendo-se como político de centro.

Essa autoimagem contrasta com o Lula que, em 2022, disse se orgulhar de ser chamado de comunista em evento do Foro de São Paulo, onde afirmou que ser chamado de comunista ou socialista “não nos ofende, isso nos orgulha”.

Governismo: pragmatismo, não guinada

Na leitura alinhada ao governo, a fala apenas formaliza o que a trajetória já mostrava: Lula sempre foi mais negociador do que ideólogo, com alianças amplas que vão do empresariado a partidos de todo o espectro. Artigos lembram que ele já foi tachado de “anticomunista” na Europa nos anos 1980, justamente por não embarcar em convites ligados à antiga URSS.

Oposição: “mentira” e oportunismo

Para veículos e articulistas oposicionistas, a frase é prova de cinismo. Um artigo o descreve como “um oportunista barato e imoral”, comparando-o a um “dono de posto de gasolina sacana” que usa qualquer bandeira para vender “combustível adulterado”. Outro texto afirma que Lula “desandou a mentir” e vê na negação da esquerda mais um capítulo de vexame no G7.

Nas redes, o vídeo virou munição. Allan dos Santos viralizou o trecho: “Lula diz que NUNCA FOI ESQUERDISTA”. Rodrigo Constantino lembrou que ele fundou o Foro de São Paulo com Fidel Castro e celebrou Flávio Dino como “primeiro comunista” no STF, para acusá-lo de reescrever o próprio passado.

Curiosamente, até parte da direita admite um ponto: “Só a esquerda acreditava que Lula era comunista… ele é oportunista”, resume um artigo que o define como alguém que sempre ocupou “o espaço onde acredita existir maioria eleitoral”.

No fim, o conflito não é só sobre rótulos. É sobre quem tem o poder de narrar quem, afinal, é Lula.

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