STF dá 60 dias para big techs se adequarem a novas regras sobre conteúdo ilegal

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que as grandes empresas de tecnologia têm 60 dias para adotar medidas estruturais contra a circulação de conteúdos ilegais. A decisão estabelece que as plataformas podem ser responsabilizadas por danos causados por postagens de usuários se houver falhas sistêmicas na prevenção ou remoção desses materiais.
STF dá 60 dias para big techs se adequarem a novas regras sobre conteúdo ilegal

STF dá 60 dias para big techs se adequarem a novas regras sobre conteúdo ilegal O STF apertou o cerco às big techs e cravou um prazo de 60 dias: ou as plataformas mudam sua engrenagem para conter conteúdo ilegal, ou passam a pagar a conta — inclusive de forma solidária. No centro da disputa, a mesma decisão alimenta narrativas bem diferentes entre aliados do governo e oposicionistas.

De um lado, veículos alinhados ao governo destacam o dever de cuidado como avanço estrutural na proteção de direitos fundamentais. O Supremo definiu que as plataformas devem adotar “medidas concretas para reduzir riscos de ofensas a direitos fundamentais, com foco em prevenção e remoção mais rápida de conteúdos ilícitos”. A responsabilização por falhas sistêmicas deixa de ser exceção e vira regra: se a empresa não prevenir ou não remover de imediato conteúdos ilegais, poderá responder por danos morais e materiais. A tese ainda prevê retirada de conteúdos graves após mera notificação extrajudicial, como atos antidemocráticos, terrorismo, incentivo ao suicídio e crimes de ódio.

Do outro lado, a leitura crítica enfatiza o peso e o alcance da decisão sobre a arquitetura jurídica da internet no Brasil. A imprensa de oposição sublinha que o STF “ampliou a responsabilidade civil das big techs por conteúdos ilegais” e, ao declarar a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil, esvaziou o antigo escudo que limitava a responsabilização a casos com ordem judicial. Fala-se em mudança de era: a Corte “confirmou que as plataformas podem ser responsabilizadas civilmente pelos danos decorrentes gerados por terceiros” e encerrou o processo, “não [cabendo] mais questionamentos”.

O ponto de convergência: todos admitem que o jogo acabou para a lógica do “plataforma neutra”. A divergência: para uns é proteção da democracia; para outros, é um poder crescente do STF sobre o que circula na rede.

https://resumosbrasil.com/stories/019edb6e-e052-11e8-723b-21003314c9f6

Write a comment