China divulga livro branco sobre sua Iniciativa de Governança Global
China divulga livro branco sobre sua Iniciativa de Governança Global A China quer reescrever as regras do jogo global — e o novo livro branco sobre a Iniciativa de Governança Global (GGI) é o manifesto dessa ambição. Por trás da linguagem diplomática, o embate é direto: Pequim versus a hegemonia ocidental.
De um lado, a comunicação oficial e veículos alinhados ao governo chinês vendem a GGI como antídoto para um sistema viciado. O editorial do Global Times apresenta o documento “Governança global mais justa e equitativa: princípios, propostas e ações da China” como uma resposta aos “principais desafios internacionais” e a um sistema discursivo “dominado pelo Ocidente” que marginaliza o Sul Global. A narrativa é de ruptura: a lógica de hegemonia teria transformado a “governança global” em tentativa de “governar o globo”, enfraquecendo a ONU e aprofundando crises.
Na mesma linha, análise publicada no Brasil descreve que a “governança global proposta pela China reforça mundo multipolar” e busca “reformar, aperfeiçoar e democratizar” os mecanismos de decisão internacionais, denunciando “desequilíbrios históricos, assimetrias de poder e distribuição limitada da capacidade de decisão”. A promessa: fortalecer a ONU, o direito internacional e impedir que “a força substitua o direito” e que “a pressão unilateral” prevaleça sobre a cooperação.
Curiosamente, até um texto classificado como de “oposição” reconhece a tração diplomática da proposta: “A Iniciativa de Governança Global demonstra forte vitalidade”, com cerca de 160 países e organizações aderindo e mais de 60 participando ativamente do Grupo de Amigos da Governança Global. O mesmo artigo ressalta que a GGI se ancora em cinco conceitos — soberania e igualdade, direito internacional, multilateralismo, foco nas pessoas e ação — apresentados como “solução chinesa” para o dilema de que sistema construir e como reformá‑lo.
O contraste, portanto, não é entre China pró e China contra, mas entre a ordem que existe e a que Pequim quer impor. A questão em aberto é se a “nova” governança global será realmente mais plural — ou apenas mudará o centro da hegemonia.
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