Operação no DF investiga BRB e PicPay por esquema de descontos em folha de servidores

O Ministério Público do DF deflagrou a Operação Juros Zero para investigar um suposto esquema de descontos irregulares na folha de pagamento de servidores públicos. A ação mira o Banco de Brasília (BRB), a PicPay, a Secretaria de Economia e outras entidades, apurando crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, com o bloqueio de quase R$ 90 milhões em contas.
Operação no DF investiga BRB e PicPay por esquema de descontos em folha de servidores

Operação no DF investiga BRB e PicPay por esquema de descontos em folha de servidores A Operação Juros Zero transformou o contracheque dos servidores do DF em campo de batalha político e financeiro. No centro, um enredo de juros fantasiados de “taxas”, decretos sob suspeita e quase R$ 90 milhões bloqueados.

Como o caso é enquadrado

Veículos alinhados ao governo sublinham a dimensão e a gravidade do esquema, destacando que a ofensiva do Ministério Público mira um “esquema de descontos em folha de servidores do DF” com BRB, PicPay e ex-dirigentes como alvos diretos. Reforçam o caráter amplo da operação, que “faz buscas contra BRB, Secretaria de Economia do DF e PicPay” e investiga crimes que vão de corrupção à lavagem de dinheiro.

A oposição descreve o episódio de forma ainda mais acusatória, enfatizando “fraudes na folha de pagamento de servidores do DF” e ligando o caso ao uso político do BRB e da máquina distrital. Outro foco oposicionista é o desenho do próprio mecanismo: a Operação Juros Zero teria mirado um esquema em que instituições “cobravam juros disfarçados de ‘taxas’” diretamente na folha.

Alvos e conexões

Ambos os campos convergem na lista de investigados: ex-secretário Ney Ferraz, ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor do PicPay Eduardo Chedid aparecem como nomes centrais. A imprensa governista detalha o histórico de Chedid como “executivo da Faria Lima e alvo da Operação Juros Zero”, ampliando o tom de tecnocracia sob suspeita.

Já a oposição insiste em seguir o rastro do dinheiro. Lembra que uma inspeção do TCDF identificou que o PicPay, ligado ao grupo dos irmãos Batista, realizou descontos irregulares de empréstimos consignados em salários de servidores, aposentados e pensionistas, levando a bloqueios e à suspensão de novos descontos em folha.

Defesa das empresas

Se, de um lado, o PicPay é apresentado como “banco digital alvo de operação no DF”, de outro ganha espaço sua resposta: a empresa afirma que “não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas” e que seus produtos “são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes, submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão”.

No duelo de narrativas, há um ponto em comum: todos admitem que a folha do servidor virou ativo financeiro cobiçado. A diferença é quem a trata como crime sistêmico — e quem a vende como simples produto de mercado.

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