Ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro vira réu por 'rachadinha'
Ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro vira réu por ‘rachadinha’ A denúncia que virou réu o ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro expõe um cabo de guerra narrativo: de um lado, quem enxerga o gabinete do vereador como centro de um esquema duradouro; de outro, quem faz questão de blindar o filho de Bolsonaro e separar o escândalo da sua figura.
De um lado, a leitura mais agressiva contra o bolsonarismo destaca que a Justiça do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público contra Jorge Luiz Fernandes e seis ex-assessores, “tornando-os réus por organização criminosa e peculato em um esquema de rachadinha na Câmara dos Vereadores”. Essa versão sublinha que o juiz Marcello Rubioli situou o esquema “diretamente no gabinete de Carlos Bolsonaro”, ressaltando que a investigação “apurou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro”. A acusação fala em um mecanismo que durou mais de quinze anos, com assessores devolvendo parte dos salários ao então chefe de gabinete, descrito como “líder e mentor da organização” e “amigo da família Bolsonaro”.
Do outro lado, o enquadramento governista admite o escândalo, mas protege o herdeiro político. A ênfase recai sobre o fato de que Carlos “não está entre os alvos da denúncia” e que o MP-RJ entendeu não haver “indícios suficientes para sustentar a acusação de prática criminosa” contra o ex-vereador. Esse relato reforça que o esquema de “desvio de salários” teria movimentado R$ 1,7 milhão entre 2005 e 2021, com assessores ligados ao gabinete, mas centralizados na figura de Fernandes, responsável por uma “conta bancária específica para receber os valores desviados”.
O contraste é claro: enquanto a oposição lê a decisão como mais um tijolo na parede de suspeitas sobre o clã Bolsonaro, o campo aliado tenta transformar Jorge Luiz Fernandes em para-raios único de um esquema que, mesmo reconhecido como criminoso, ainda não encostou judicialmente em Carlos — pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.
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