Colômbia vai às urnas em segundo turno presidencial polarizado

A Colômbia realiza o segundo turno de sua eleição presidencial em um cenário de forte polarização entre o esquerdista Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella. O debate central da campanha gira em torno do acordo de paz com as Farc e das políticas de segurança pública.
Colômbia vai às urnas em segundo turno presidencial polarizado

Colômbia vai às urnas em segundo turno presidencial polarizado A Colômbia chega ao segundo turno como um país dividido ao meio: metade teme perder a paz recém-conquistada, metade sente que essa paz nunca chegou ao seu bairro. Nas urnas, a escolha não é só entre dois nomes, mas entre duas formas radicalmente diferentes de lidar com guerra, crime e Estado.

De um lado, o campo alinhado ao governo vende o pleito como um referendo entre “paz social” e o retorno à “política de guerra”. Iván Cepeda é apresentado como herdeiro direto do projeto de Gustavo Petro, com foco em direitos humanos, combate à pobreza e presença do Estado em territórios abandonados. Essa visão insiste que a Colômbia deve consolidar os Acordos de Paz e a política de “Paz Total”, negociando com grupos armados em paralelo a reformas sociais profundas. Na narrativa progressista, Abelardo de la Espriella encarna uma guinada “ultradireitista” e punitivista, apoiada por figuras como Trump e Milei, que promete varrer as políticas de Petro, cortar gastos sociais, construir megacadeias e reativar bombardeios e fumigações aéreas de coca. Para analistas e apoiadores de Cepeda, há “motivos para temer” um governo de Espriella, visto como regressão a um esquema de militarização que historicamente produziu vítimas civis e reforçou a dependência de Washington.

Do outro lado, a oposição enxerga outra história: dez anos após o pacto com as Farc, a eleição virou um julgamento desse acordo. O eixo é segurança, não ideologia. Espriella e seu movimento Defensores da Pátria acusam o modelo de paz negociada de gerar “um desfile de impunidade” e exigem o fim dos “pactos com criminosos” para “impor a ordem” e “proteger milhões de cidadãos que apenas pedem para viver sem medo”. Cepeda, por sua vez, é descrito como o arquiteto de uma abordagem que falhou em entregar tranquilidade, enquanto a taxa de homicídios segue em nível epidêmico e novas formas de violência — como guerrilhas e grupos criminosos armados com drones — se expandem pelo país.

Se para o campo governista o dilema é entre aprofundar a paz e reabrir a guerra, para a oposição a escolha é entre insistir num experimento que não funcionou ou voltar à repressão dura, inspirada em modelos como El Salvador de Nayib Bukele. Em comum, ambos os lados exploram o mesmo medo — o de viver sob a mira de armas, agora também embarcadas em drones — e apostam que o eleitor, exausto e polarizado, vai culpar o projeto do outro por esse fracasso coletivo.

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