Kim Kataguiri desiste da candidatura ao governo de São Paulo
Kim Kataguiri desiste da candidatura ao governo de São Paulo Kim Kataguiri sai do páreo em São Paulo, mas não desce do palanque nacional. Ao trocar a disputa pelo governo paulista por uma tentativa de reeleição à Câmara e a promessa de um “superministério” em Brasília, o deputado vira símbolo de um projeto ambicioso — e, para muitos, delirante.
De um lado, os veículos alinhados ao governo tratam a movimentação como cálculo frio e aposta estratégica. A Folha descreve o evento na Liberdade como casa cheia de militantes, com Kataguiri anunciado como titular de um novo superministério da Reforma do Estado, “transversal” e alcançando gestão, trabalho, Previdência, Casa Civil e Relações Institucionais. A CartaCapital destaca a promessa de um corte de R$ 1,1 trilhão na máquina pública, mas lembra que Renan Santos tem apenas 3% nas pesquisas, bem distante de Lula (41%) e Flávio Bolsonaro (31%). Já o Brasil247 enfatiza que a prioridade imediata de Kataguiri passa a ser montar a equipe econômica da campanha presidencial do aliado, com fé declarada de que “vamos vencer as eleições presidenciais desse ano e governar esse país, não só por um mandato”.
Do outro lado, a oposição midiática enxerga mais autoengano que estratégia. A Gazeta do Povo relata o recuo ao governo de SP, mas compra o enredo da “maior reforma de Estado da história” e o pacote trilionário que incluiria fim de supersalários, desfavelização, mega-presídio e o “maior corte de gastos da história do país”. A Revista Oeste sublinha que o tal superministério existirá apenas “caso Renan Santos seja eleito presidente”, num cenário em que o próprio Kataguiri marcava apenas cerca de 5% nas pesquisas paulistas.
A artilharia mais pesada vem do Jornal da Cidade Online, que classifica o anúncio do superministério como “bobageira totalmente sem sentido” e sentencia: “a chance disso acontecer é zero”, lembrando que Renan tem 3% de intenção de voto, pouco carisma e fragilidade política.
Resultado: para aliados, Kataguiri se reposiciona como cérebro técnico de um projeto liberal 3.0; para críticos, é apenas um deputado com baixa votação projetando um ministério que, por enquanto, só existe em discurso.
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