Colômbia realiza 2º turno da eleição presidencial entre esquerda e ultradireita

Os eleitores colombianos foram às urnas neste domingo para o segundo turno da eleição presidencial, em uma disputa polarizada entre o candidato de esquerda Iván Cepeda e o de ultradireita Abelardo de la Espriella. A votação é vista como um referendo sobre a continuidade do projeto progressista do atual governo ou uma mudança radical de rumo.
Colômbia realiza 2º turno da eleição presidencial entre esquerda e ultradireita

Colômbia realiza 2º turno da eleição presidencial entre esquerda e ultradireita A Colômbia chegou às urnas esgotada e rachada ao meio, transformando o segundo turno entre Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella em plebiscito bruto: paz negociada ou guerra declarada, continuidade social ou choque ultraliberal.

De um lado, a oposição de direita e ultradireita vende este domingo como a chance de “endireitar” mais um país da região. De la Espriella, o “El Tigre” nacionalista, lidera as pesquisas com algo em torno de 50% dos votos, contra cerca de 45% de Cepeda, numa disputa ainda apertada quando se consideram brancos, nulos e indecisos. Para esse campo, o resultado desejado é claro: romper com o “establishment progressista”, acabar com a política de paz, endurecer com guerrilhas e narcotráfico e inspirar-se no modelo de megaprisões e mão de ferro de Nayib Bukele.

Do outro lado, o campo alinhado ao governo descreve De la Espriella como um projeto de extrema direita perigoso, candidato “pró-Trump” que promete varrer o legado social de Petro e reativar uma agenda de guerra interna. Analistas críticos reúnem “seis motivos para temer” o presidenciável, que já defendeu narcotraficantes, propõe cortes sociais profundos e um alinhamento automático com Washington e a direita global. Para eles, a escolha é entre “continuidade da paz social e retorno da política de guerra”.

No meio do fogo cruzado, parte da imprensa registra um país “fraturado”, em campanha dominada por ódio, onde o adversário vira inimigo e o debate vira grito. A década do acordo com as Farc é reescrita em narrativas opostas: para Cepeda, base de um projeto de “Paz Total”; para Espriella e seus aliados, “desfile de impunidade” a ser enterrado por bombas, fumigações e megacadeias.

A única convergência entre os lados é sombria: ambos admitem que, qualquer que seja o vencedor, a Colômbia acorda amanhã ainda mais polarizada — e com a violência política rondando a porta do palácio de Nariño.

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