Irã suspende negociações com EUA após ameaças de Trump
Irã suspende negociações com EUA após ameaças de Trump Irã e Estados Unidos sentaram à mesma mesa na Suíça para “virar a página” da guerra no Oriente Médio — e, em menos de dois dias, Trump virou a mesa. Entre promessas de paz e ameaças de “atacar com mais força ainda”, as negociações entraram em modo colapso.
Washington: mão estendida, punho cerrado
Do lado americano, o script oficial era de reconciliação. JD Vance chegou dizendo ver “um futuro juntos” e prometendo “transformar a relação com o povo do Irã” em conversas de alto nível sobre nuclear e cessar-fogo no Líbano. A Casa Branca falava em “virar a página” — desde que Teerã aceitasse encerrar a sua “política nuclear” militar.
Trump, porém, operava outra narrativa. Entre um post e outro no Truth Social, ameaçou “atingir o Irã com muita força novamente” se os “aliados bem pagos” de Teerã no Líbano não recuassem, e voltou a flertar com a ideia de cobrar pedágio no Estreito de Ormuz se não houver acordo. Para a imprensa americana alinhada ao governo, Vance ainda tentava blindar o processo e assegurar que o cessar-fogo no Líbano “está melhorando”.
Teerã: sem bomba, mas com urânio — e sem ameaças
Teerã chegou dizendo estar pronto para garantir por escrito que “não construirá uma bomba atômica”, mas repetiu que não abrirá mão do “direito ao enriquecimento” de urânio. Tanto veículos governistas quanto oposicionistas destacam essa linha vermelha: renúncia formal à arma nuclear, defesa dura do programa civil.
Para o Irã, o “tema principal” não é o urânio, mas o Líbano e o fim dos bombardeios israelenses, além da liberação de ativos congelados e da venda de petróleo. Teerã condiciona qualquer acordo amplo ao cessar-fogo no Líbano e usa o fechamento do Estreito de Ormuz como resposta a ataques e ao “descumprimento de compromissos” por Washington.
Onde convergem — e onde tudo quebrou
Há consenso mínimo: 60 dias para tentar um acordo final, focado em nuclear, sanções e cessar-fogo regional, com Paquistão e Catar como mediadores. Ambos reconhecem que o Líbano e Ormuz são o barril de pólvora que pode explodir a trégua.
Mas as versões sobre o rompimento divergem. Mídia próxima a Teerã e veículos de esquerda relatam que a delegação iraniana abandonou o hotel nos Alpes em protesto contra ameaças de Trump, consideradas violação direta da cláusula que proíbe “ameaças ou uso da força” no memorando. A Gazeta do Povo fala em “suspensão” das negociações após Trump advertir que o Irã poderia “não ter mais país” se mantivesse o bloqueio de Ormuz.
Enquanto aliados do governo americano tratam o gesto como tática de pressão, a imprensa simpática a Teerã enxerga sabotagem deliberada de Trump a um processo que Vance ainda tenta salvar. Por ora, a única página realmente virada é a da foto histórica que não houve: os iranianos se recusaram até a posar ao lado dos representantes de Washington.
https://resumosbrasil.com/stories/019eec2b-b783-05da-703f-0d62997f6c47
Write a comment