Colômbia vai às urnas para segundo turno presidencial

Os eleitores colombianos votam neste domingo para escolher o sucessor do presidente Gustavo Petro em um segundo turno polarizado. A disputa se dá entre Iván Cepeda, candidato de esquerda, e Abelardo de la Espriella, de direita, com pesquisas apontando um cenário acirrado e um clima de tensão no país.
Colômbia vai às urnas para segundo turno presidencial

Colômbia vai às urnas para segundo turno presidencial A Colômbia vai às urnas como quem entra em campo para prorrogação: placar apertado, torcida dividida e a sensação de que qualquer gol pode redefinir o país pelos próximos anos. De um lado, a continuidade do experimento progressista; do outro, a promessa de uma guinada dura à direita.

Cepeda x Espriella: referendo ou contrarreforma?

Para a oposição de direita, o segundo turno é um plebiscito contra o “establishment progressista” de Gustavo Petro. Abelardo de la Espriella, “El Tigre”, liderou o primeiro turno e aparece à frente em pesquisas como a da CB Global Data, com cerca de 50,1% contra 45,1% de Iván Cepeda. Leituras conservadoras celebram a chance de “endireitar mais um país da América do Sul”. Espriella defende extinção do tribunal de paz, porte de armas e até “limpeza química” de plantações de coca, numa agenda de choque liberal e repressão.

Já análises alinhadas ao governo descrevem o duelo como escolha entre “continuidade da paz social e retorno da política de guerra”, com Cepeda identificado à defesa de direitos humanos, expansão de políticas sociais e consolidação da “Paz Total”. Para esses veículos, Espriella representa ruptura ultradireitista, com cortes sociais, megaprisões e retomada de bombardeios e fumigações, ecoando o velho Plano Colômbia.

Paz ou bala: a segurança no centro da disputa

Há consenso num ponto: a eleição gira em torno do legado do acordo com as Farc e da segurança pública. Reportagens críticas ao governo apontam que a frustração com promessas não cumpridas impulsiona a direita, que acusa uma “parada de impunidade” desde o pacto de 2016 e prega “impor a ordem” e acabar com “pactos com criminosos”. Espriella mira um modelo à la Bukele, com megaprisões e ofensiva sem negociação.

Veículos governistas, porém, veem nessa agenda um retrocesso perigoso, que recolocaria o país na lógica da guerra aberta, abandonando a negociação com grupos armados e a presença social do Estado em territórios abandonados. Um texto fala abertamente em “candidato pró-Trump” contra “herdeiro político de Petro”, com a paz de 2016 como fio condutor.

Medo, interferência externa e clima de final

De um lado, colunistas enfatizam o “clima de medo” e o risco de instabilidade se a provável vitória de Espriella não for reconhecida de imediato por Petro e setores da esquerda, prevendo protestos e confrontos de rua. Do outro, há quem acuse interferência de Washington e da própria embaixada dos EUA, cujo alerta sobre violência foi chamado de “desrespeitoso” por Petro.

Enquanto analistas contam cenários apocalípticos, nas filas de votação o país veste a camiseta da seleção em disputa simbólica: primeiro apropriada pela campanha de Espriella, depois “reocupada” por eleitores de Cepeda que estamparam nela ícones da esquerda e prometeram “virada no segundo turno”. Seja qual for o placar, a Colômbia sai desta eleição ainda mais dividida – e com a paz, mais uma vez, em jogo.

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