Morre aos 57 anos Robson Barros, ex-paquito do 'Xou da Xuxa'
Morre aos 57 anos Robson Barros, ex-paquito do ‘Xou da Xuxa’ A morte de Robson Barros, o Rob do “Xou da Xuxa”, aos 57 anos, expôs não só a nostalgia de uma geração, mas também a disputa por memória em torno de um ícone da TV infantil dos anos 80/90. De um lado, o luto afetivo. De outro, o resgate crítico – ainda que discreto – da máquina de celebridades que o projetou.
Celebridades em coro: o eterno paquito
A mídia de entretenimento enquadrou Rob como parte de um mito afetivo da TV: “um dos primeiros paquitos da Xuxa” que virou rosto onipresente do programa e de sua primeira formação masculina. As homenagens destacam o garoto que ajudava Xuxa a “descer da nave”, levava café da manhã e integrava o grupo musical do programa.
Xuxa reforça a narrativa de família ampliada: ao chamá‑lo de “meu eterno paquito” e “cara incrível”, a apresentadora o recoloca no panteão da marca Xuxa, agora sob o signo da saudade. Ex-paquitas relatam uma despedida organizada por mensagens gravadas, descrevendo uma rede de apoio que atravessa décadas e transforma um produto da indústria televisiva em laço afetivo real.
Há também a tentativa de equilibrar mito e biografia: as reportagens sublinham o empresário que deixou a TV em 1991/93 para atuar no ramo de eventos, trabalhar com o pai ligado a Roberto Carlos e comandar empresa com o irmão, além de ser pai de quatro filhos e avô.
O outro enquadramento: estrela de um sistema
Já a cobertura de viés oposicionista mantém o tom de luto, mas troca o foco do afeto para a engrenagem midiática. Robson é apresentado como “um dos primeiros paquitos da Xuxa” que “alcançou o estrelato” em turnês pelo Brasil e exterior, vestindo fardas de soldadinho de chumbo e surfando hits como “Paquidance”.
Enquanto a imprensa de celebridades fala em legado de carinho e saudade, essa leitura lembra que a mesma nostalgia é produto de um sistema que fabrica ídolos adolescentes, capitaliza em cima deles – e, décadas depois, os devolve ao público embalados em obituários emocionados.
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