PF prende fornecedores de armas do Comando Vermelho na Operação Red Fox
PF prende fornecedores de armas do Comando Vermelho na Operação Red Fox A nova fase da Operação Red Fox virou vitrine do governo federal na guerra contra o crime organizado — e teste prático da estratégia de estrangular o caixa das facções. Ao mesmo tempo, expõe a expansão transnacional do Comando Vermelho (CV), que hoje lava dinheiro, compra fuzis e circula milhões entre Amazônia, Rio e Suriname.
Governo: “seguir o dinheiro” como arma principal
No discurso alinhado ao governo, a operação é apresentada como golpe cirúrgico no coração financeiro do CV. A PF prendeu operadores acusados de lavar dinheiro e financiar armas e drogas para a facção em uma engrenagem “financeira e logística transnacional ligada ao CV”.
A narrativa oficial enfatiza a sofisticação do esquema: empresas de fachada, laranjas, depósitos fracionados, Pix e contas de passagem para disfarçar recursos “incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos”. Na ponta do lápis, a 5ª Vara Federal Criminal do Rio autorizou bloqueios e sequestros de bens “até o limite de quase R$ 500 milhões”, mirando diretamente o fôlego financeiro da facção.
Crime organizado: fronteira, fuzis e Suriname
Do outro lado está a imagem de um CV cada vez mais internacionalizado. A PF destaca a prisão de um suspeito “fornecedor e operador financeiro ligado a repasses para compra de armamentos do CV”, que teria movimentado mais de R$ 150 milhões em área de fronteira. Em outra frente, a Polícia Federal e o Gaeco do MPF prenderam operadores acusados de negociar a compra de “10 fuzis AK-47 destinados ao braço do Comando Vermelho que atua na Região Norte do Brasil”.
O quadro se completa com prisões no Rio, na tríplice fronteira amazônica e em uma mansão em Paramaribo, capital do Suriname, reforçando que o CV já opera como corporação criminosa multinacional, com logística de drogas e armas ancorada na Amazônia e no exterior.
Convergências e lacunas
Governo e órgãos de persecução convergem num ponto: o alvo central agora é o dinheiro, não só os soldados do morro. Mas as reportagens mostram também o tamanho do desafio: mesmo com prisões e bloqueios milionários, lideranças seguem foragidas e a máquina financeira do CV se apoia em múltiplas camadas de empresas, fronteiras e intermediários — um tabuleiro muito maior que uma única operação.
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