PF analisa celulares de Daniel Vorcaro em investigação do Caso Master

A Polícia Federal está em fase intermediária da análise de dezenas de aparelhos eletrônicos e milhares de documentos apreendidos na Operação Compliance Zero, com foco em três celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As perícias, que podem se estender até 2027, revelaram indícios de uma ampla rede de contatos e suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.
PF analisa celulares de Daniel Vorcaro em investigação do Caso Master

PF analisa celulares de Daniel Vorcaro em investigação do Caso Master A guerra em torno do Caso Master se trava menos nos tribunais e mais na narrativa: para uns, a PF desmonta um esquema com “contornos de máfia”; para outros, o inquérito virou um monstro pericial que atravessará eleições e alimentará suspeitas sem fim.

O que a PF está vendo nos celulares

Segundo a apuração da imprensa, a Polícia Federal ainda está longe de encerrar o trabalho: “PF ainda vai analisar 3 celulares de Vorcaro e deve estender perícias até 2027”. São ao menos oito aparelhos usados por Daniel Vorcaro e cerca de 100 dispositivos eletrônicos no total, tornando o Caso Master uma das apurações financeiras mais complexas do país.

Os dados extraídos dos celulares descrevem uma “rede de influência criminosa” que envolve autoridades dos Três Poderes e uma engenharia financeira sofisticada. Mensagens, áudios e arquivos indicam fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos, inclusive com grupos como “A Turma” e “Os Meninos”, formados por policiais e hackers para monitorar e intimidar desafetos.

O Judiciário entre o freio e o acelerador

Na cúpula do STF, as leituras também divergem. O então relator Dias Toffoli restringiu o acesso às provas a apenas quatro peritos, o que atrasou significativamente o processo. Já André Mendonça, que herdou a relatoria, liberou a redistribuição do material e classificou o esquema como tendo “contornos de máfia”.

Há ainda o flanco político-institucional: a PF encontrou uma minuta de contrato de R$ 50 milhões ligada ao banco de Vorcaro que coincide com valores de um contrato do escritório da esposa de um ministro; o escritório nega o recebimento e o ministro nega as conversas mencionadas em capturas de tela.

Defesa acuada, investigação inflada

A defesa de Vorcaro nega todas as acusações. E, ironicamente, sua tentativa de delação premiada perdeu valor porque a “perícia técnica já era muito avançada”, de modo que ele não trouxe fatos novos para PGR e PF.

Enquanto isso, o volume de dados cresce, novas fases da operação estão “no radar”, e a investigação promete atravessar 2027 – arrastando consigo a imagem de bancos, órgãos de Estado e do próprio Supremo.

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