Thiago Brennand se casará na prisão com a advogada Karina Kufa
Thiago Brennand se casará na prisão com a advogada Karina Kufa O casamento de um condenado por estupro com sua própria advogada dentro da prisão já seria, por si só, um enredo explosivo. Quando a noiva é expoente do bolsonarismo jurídico, o caso vira teste de fogo para a fronteira entre amor, estratégia de defesa e capital político.
De um lado, a imprensa crítica ao bolsonarismo destaca o contraste brutal: Thiago Brennand, “condenado a mais de 20 anos por estupro e agressão” e alvo de uma série de processos por crimes sexuais e violência contra mulheres, vai se casar “na cadeia” com a “ex-advogada de Bolsonaro”. A ênfase recai na ficha criminal e no simbolismo de uma jurista de direita unir-se ao cliente mais tóxico possível para a pauta de violência de gênero.
Veículos mais alinhados ao campo governista mantêm o foco na gravidade dos crimes, mas com tom menos inflamado. Registram que Brennand “cumpre pena por condenações relacionadas a estupro e agressões contra mulheres” e que a nova esposa “ganhou notoriedade nacional por atuar em processos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a integrantes de sua família”. A moldura é de escândalo judicial, mas sem explorar tanto o viés ideológico.
Já a coluna de Mônica Bergamo abre espaço para a versão romântica do casal. Ali, Karina Kufa aparece como a advogada que, depois de quatro meses na defesa de Brennand, diz-se “plenamente convicta” da inocência dele e relata uma “paixão pelas palavras” nas conversas separadas por vidro no parlatório. Fala em “encontro de almas e de intelecto” e rejeita a “imagem de um monstro” criada do noivo.
O UOL, por sua vez, desloca o foco do romance para o currículo político da noiva: “advogada dos Bolsonaro e jurista de direita”, fundadora do grupo “Os Garantistas”, rede de juristas alinhados à direita, inspirada na articulação de setores progressistas. Assim, o mesmo casamento é lido, à esquerda, como sintoma de um ecossistema que normaliza a violência; ao centro, como caso jurídico inusitado; e, no entorno bolsonarista, como história de fé na inocência e militância garantista levada às últimas consequências.
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