Julgamento de PMs acusados de matar delator do PCC começa em Guarulhos

Iniciou-se em Guarulhos (SP) o julgamento de três policiais militares acusados de assassinar Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, delator do PCC, em 2024. O primeiro dia foi marcado por um forte esquema de segurança e discussões acaloradas entre a promotoria e os advogados de defesa, que alegam que as provas foram forjadas.
Julgamento de PMs acusados de matar delator do PCC começa em Guarulhos

Julgamento de PMs acusados de matar delator do PCC começa em Guarulhos O júri que deveria esclarecer a morte do delator do PCC virou espetáculo de confronto: no banco dos réus, três PMs; no centro do palco, promotor e defesa trocando ataques em vez de argumentos. Enquanto a família das vítimas espera respostas, o plenário ferve.

De um lado, a acusação tenta manter a narrativa de um crime articulado por policiais militares, com um júri dominado por tensão e interrupções. O primeiro dia foi “marcado por momentos de forte tensão” e chegou a ser interrompido por discussão entre defesa e o promotor Rodrigo Merli Antunes. Em plena sessão, Antunes disparou contra um dos advogados: “O senhor conversa com bandido, eu converso com policial”, desencadeando gritaria e ameaça de abandono do plenário. Outro trecho do confronto mostra o tom do embate: o promotor afirmou que o defensor é “habituado a conversar com bandido, com matador de aluguel”.

Do outro lado, a defesa dos três PMs tenta virar o tabuleiro, atacando não só o promotor, mas o próprio enredo do inquérito. Os réus, apontados como atiradores e motorista do carro de fuga no atentado em Guarulhos, que também matou um motorista de aplicativo e feriu duas pessoas, negam qualquer participação. As defesas sustentam que a acusação foi “forjada” e que outros agentes, inclusive civis, seriam os verdadeiros responsáveis pelo crime.

A troca de ofensas virou método. Advogados chamaram o promotor de “folgado”, “cínico” e “descortês”, e falaram em “alinhar depoimento com testemunha”, levantando suspeitas sobre a atuação do perito e do Ministério Público. O juiz precisou intervir e mandar o promotor “não transitar próximo da defensiva”, numa tentativa de devolver algum mínimo de sobriedade ao julgamento.

Enquanto acusação e defesa duelam por narrativa, o risco é que a morte de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach acabe soterrada sob o barulho do plenário.

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